Isaura Daniel
São Paulo – Nas prateleiras do supermercado do Afra Shopping Center, em Cartum, capital do Sudão, se pode ver produtos fabricados em regiões como China, Turquia, Europa. O supermercado importa ao redor de US$ 5 milhões em produtos ao ano, de acordo com informações do gerente-geral do estabelecimento, Salim Kose. "Pode ser uma oportunidade para exportadores brasileiros que possuem preços competitivos", diz o coordenador de operações da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rodrigo Solano, que visitou o estabelecimento na última semana juntamente com o analista de Desenvolvimento de Mercados da entidade, Jean Gonçalves da Silva, e conversou com Kose.
Os profissionais da Câmara Árabe estão no Sudão para participar da 24ª Feira Internacional de Cartum, que começou no dia 24 e segue até o dia 02 de fevereiro. No país, eles também estão verificando oportunidades de negócios para empresas brasileiras, como é o caso do supermercado. O empreendimento fica dentro do Afra Shopping Center, um complexo com praça de alimentação e espaço de entretenimento, além de supermercado e lojas. É o maior centro de compras do Sudão, com cerca de 350 funcionários. Ele foi construído em parceria por turcos e sudaneses e inaugurado em 2004. Na Turquia há 35 shopping centers Afra.
O shopping do Sudão pertence ao grupo Zawaya, turco-sudanês, que possui participação também em outro setores como construção, hotelaria e telecomunicações. Ele é dono, por exemplo, da Areeba, maior empresa de telefonia celular do país e da rede de hotéis Rotana. De acordo com Kose, a indústria sudanesa está se desenvolvendo, principalmente no setor têxtil, de alimentos e calçados, e o país vem substituindo muitos produtos importados por nacionais. Mas grande parte das mercadorias consumidas no país, segundo ele, ainda vem do exterior. Os principais fornecedores internacionais do supermercado são europeus, turcos e chineses.
Segundo Kose, o supermercado não importa quantias significativas de produtos brasileiros. O gerente-geral afirmou ao coordenador de operações da Câmara Árabe que a gama de produtos brasileiros, e seus preços, não é conhecida no Sudão. Segundo Solano, os sudaneses conhecem do Brasil principalmente o açúcar, o café e o futebol. A maioria não sabe que o país tem uma indústria bastante diversificada. O coordenador de operações da Câmara Árabe deu informações sobre a indústria nacional, como de moda, construção e alimentos, para o gerente do supermercado e colocou os serviços da entidade à disposição.
"O empreendimento é um exemplo a ser seguido. A Turquia é um país em desenvolvimento que tem diversificado a sua indústria e vem alcançando posições de destaque, não somente no Sudão, mas em vários países árabes, como, por exemplo, os do Golfo. Grande parte do sucesso obtido se deve à iniciativa e à promoção comercial", afirma Solano. Na Feira Internacional de Cartum, os turcos estão com produtos expostos em um pavilhão inteiro. Ao lado da China, eles têm uma das atitudes comerciais mais agressivas no Sudão.
Feira de Cartum
A 24ª Feira Internacional de Cartum na sexta-feira (26) o seu terceiro dia. No primeiro dia, porém, ocorreu apenas a abertura da mostra. O segundo e o terceiro foram abertos a visitantes. O estande que a Câmara Árabe mantém na mostra está recebendo um grande número de importadores. De acordo com Solano, a maior parte deles está interessado em adquirir maquinários agrícolas e motores do Brasil. Também há procura, menor, por material de construção e móveis. O estande da Câmara Árabe tem 32 metros quadrados.

