Geovana Pagel
São Paulo – O segmento de moda íntima é um dos que mais cresce no Brasil. A produção nacional, incluindo roupa de dormir, meias e acessórios, é de 1,24 bilhão de peças por ano. Em 2005, o faturamento do segmento foi de US$ 1,7 bilhão, um crescimento de 33% em relação ao US$ 1,3 bilhão faturado em 2004, segundo informações da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).
O setor reúne 6 mil empresas formais, a maioria micro e pequenas, que empregam 32 mil trabalhadores em todo o país. No ano passado, este segmento teve participação de 5,2% no PIB Têxtil, que foi de US$ 32,9 bilhões.
A lingerie brasileira também conquista seu espaço no exterior. Entre janeiro e junho deste ano foram exportados US$ 15 milhões e importados US$ 5,3 milhões, com saldo positivo na balança comercial de US$ 9,6 milhões. No mesmo período do ano passado, as exportações somaram US$ 16,7 milhões e importações US$ 3,8 milhões, com superávit de US$ 12,9 milhões.
Países árabes como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Líbano e Tunísia estão entre os importadores. De janeiro a junho de 2006, eles importaram o equivalente a US$ 335,8 mil em moda íntima brasileira, de acordo com dados da Abit. Estados Unidos, Chile, Argentina, Uruguai e Bolívia são os principais destinos. No primeiro semestre, os itens mais exportados foram sutiãs, bustiers, corpetes e calcinhas. China, Hong Kong, Argentina, Paquistão e Bolívia, na outra mão, são os países que mais vendem produtos do segmento para o Brasil.
Alta tecnologia e design
Item indispensável do guarda-roupa feminino, a lingerie ganha destaque em qualquer produção, seja de forma discreta e confortável, realçando as formas femininas ou ainda compondo o figurino, de modo aparente. O crescente desenvolvimento do setor motiva o surgimento de feiras especializadas como o Salão Lingerie Brasil que recebe aproximadamente 10 mil visitantes a cada edição.
"Os fabricantes passaram a prestar mais atenção no comportamento da mulher. Hoje a mesma mulher tem vários estilos num mesmo dia", afirma Indhira Pêra, diretora da New Stage, empresa organizadora do Salão Lingerie, que este ano, em sua terceira edição, contou com a participação de 60 das principais marcas do segmento no país. O evento ocorreu de 6 a 8 de agosto, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo.
"A mulher moderna cada vez mais busca produtos que aliam tecnologia com conforto, sem deixar de ser sensual", destaca Indhira. É justamente a evolução tecnológica dos filamentos têxteis que permite a versatilidade das peças. Os novos fios proporcionam maciez e toque agradável, evitam a proliferação de bactérias, promovem alta durabilidade e firmeza de cores. Além disso permitem a compressão suave ou ainda reforçam as curvas, avolumando-as suavemente.
No lounge Rhodia, que foi a primeira empresa a produzir a microfibra e a supermicrofibra de poliamida no Brasil, os visitantes puderam conferir tudo o que os produtos Amni, como é chamada a microfibra da Rhodia, permitem em termos de inovações fashion. O tema do lounge foi: "Lingerie de Atributos."
Foram expostos sutiãs com alta sustentação, opções para aumentar o volume das mamas, realçar o colo e usar com qualquer decote. Tops específicos para o pós-parto também foram expostos. Bermudas e bodies com compressão dosada no abdômen, ideais para modelar o corpo diminuindo o culote e a barriga, calcinhas com bumbum de bojo e outras ainda para serem usadas com calças de cintura baixa.
Os sutiãs tomara-que-caia e calcinhas com cintura alta ou alguns caleçons trazem silicone nas laterais evitando que saiam do lugar e marquem sob a roupa. Todas confortáveis, confeccionadas para não marcar a roupa e sem deixar de lado a sensualidade discreta e o apelo fashion.

