Belo Horizonte – A empresa egípcia Electrometer, fabricante de medidores de energia elétrica, formou sua primeira joint-venture no Brasil com a empresa mineira Damp Electric, de engenharia e projetos elétricos. A Electrometer do Brasil, com sede em Sabará, já recebeu investimentos de cerca de US$ 5 milhões e deverá produzir 700 mil medidores por ano. "Escolhemos o Brasil porque é um mercado que está começando a trabalhar com essa nova tecnologia digital", afirmou o diretor da filial nacional, Assem El Shafei, que participou ontem (13) de um jantar oferecido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) em homenagem ao ministro do Comércio e da Indústria do Egito, Rachid Mohamed Rachid, em Belo Horizonte.
De acordo com o vice-presidente executivo da Damp Electric, João B.G. Ferreira da Silva, a idéia é vender no mercado nacional e depois começar a exportar para os países da América Latina. "O Brasil tem 60 milhões de consumidores desse produto. Temos um potencial muito grande", disse Silva. No início, a Electrometer do Brasil vai produzir cinco tipos diferentes de medidores, mas a empresa egípcia tem tecnologia para produzir mais de 10 tipos.
Segundo El Shafei, que fez um discurso em português, o grupo egípcio Zaki El Sewedy, ao qual pertence a Electrometer, estava de olho no Brasil há anos. O diretor egípcio também quer introduzir no país o cartão pré-pago de energia, a exemplo dos cartões telefônicos já existentes no país. Os sócios da joint-venture garantem que o sistema será muito mais econômico e seguro. "Vamos produzir no Brasil tudo aquilo que o mercado exigir", afirmou El Shafei.
A fábrica, que está sendo equipada com maquinário egípcio e brasileiro, deverá começar a operar até o final do mês. Hoje (14), a delegação egípcia fará uma visita às instalações da companhia. A meta é que a partir de 2009, a Electrometer já comece a exportar para os países sul-americanos.
Essa é a primeira filial da empresa egípcia na América do Sul, porém, já existem outras unidades de produção da companhia em Gana, Zâmbia, Etiópia e México. "Tenho certeza que será um sucesso", disse Silva.
O grupo
O Zaki El Sewedy foi fundado em 1938 e tem 15 empresas de diferentes setores. Segundo o presidente da Electrometer do Egito, Emad El Sewedy, o grupo emprega cerca de dois mil funcionários e tem um faturamento de mais de US$ 100 milhões por ano.
O ministro egípcio Rachid, em discurso na Fiemg, disse estar muito feliz com as parcerias já realizadas entre os dois países. Além da Electrometer, ele citou a abertura de uma unidade de produção da brasileira Marcopolo, fabricante de carrocerias. Outra parceria que o ministro acredita que poderá ser realizada é com a Coopersucar, que tem interesse em investir numa refinaria no Egito para atender tanto a demanda local como externa.
De acordo com o gestor do Centro Internacional de Negócios da Fiemg, Guilherme Emrich, as empresas brasileiras e egípcias estão começando a ver o potencial comercial e de investimentos que existem entre os dois países. "Acho muito importante essa cooperação entre Egito e Minas Gerais. O Egito é uma ótima porta de entrada para as empresas brasileiras entrarem no mercado do Norte da África e Oriente Médio, como o Brasil é uma ótima porta para eles", disse Emrich.

