São Paulo – Nascida em Taiobeiras, no norte de Minas Gerais, Eusa Marques construiu uma trajetória marcada pelo empreendedorismo. Ainda criança, migrou com a família para Rondônia e hoje é CEO da Top Amazon. Com a marca consolidada no norte do País, um dos maiores desejos da mineira agora é exportar os produtos produzidos com matérias-primas amazônicas para os Emirados Árabes.

A ideia de levar a empresa de biocosméticos, que já vende para os Estados Unidos, aos árabes, aconteceu depois de Eusa participar de rodadas de negócios internacionais organizadas pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Em 2024 e 2025, a empresa esteve envolvida em negociações com Colômbia e Peru, além de integrar encontros com representantes de mais de 30 países.
“Essas experiências me ajudaram a direcionar o olhar para mercados com maior afinidade com produtos naturais e de origem florestal. E acredito que os países árabes valorizam muito o que é natural e já têm uma cultura ancestral de uso de óleos vegetais. Por isso, vejo que o nosso produto conversa muito bem com esse público”, avalia a mineira.

Além dos Emirados Árabes, a empresária acredita que os países da União Europeia podem ser melhores apostas de novos contatos comerciais porque já valorizam a biodiversidade amazônica e produtos com apelo sustentável. Para atender esses mercados, a Top Amazon estuda adequações regulatórias e ajustes de embalagem, com foco em um design mais sofisticado.
“Participar das rodadas de negócios é uma oportunidade de entender o que o mercado internacional busca e como podemos nos preparar melhor. Mas como não conheço o mercado árabe, acredito que preciso de um contato para fazer uma ponte entre nós e eles”, conta Eusa.
Hoje, a empresa faz vendas pontuais para Estados Unidos para cabeleireiras brasileiras que conheceram os produtos no Brasil e passaram a utilizá-los em seus salões no exterior. Em 2024, as exportações somaram US$ 500 (cerca de R$ 2,6 mil) e, em 2025, chegaram a US$ 3 mil (cerca de R$ 15,6 mil).
História da CEO e da marca
Ao longo da sua trajetória empreendedora, Eusa acumulou cinco cursos técnicos, entre eles contabilidade, administração, edificações, estética e cosmetologia. A relação com o setor de cosméticos começou em 2006, quando ela passou a atuar como distribuidora de produtos profissionais para salões de beleza.
O crescimento foi rápido e, em poucos meses, a demanda exigiu a ampliação da equipe e a busca por apoio especializado. “Eu comecei de baixo para cima. Primeiro validando o produto, entendendo o mercado e construindo uma base sólida de clientes”, conta.
Eu comecei de baixo para cima. Primeiro validando o produto, entendendo o mercado e construindo uma base sólida de clientes.
Eusa Marques
Em 2007, a empresária buscou o Sebrae, que teve papel decisivo na profissionalização do negócio. Anos depois, em 2017, nasceu o desejo de criar uma marca própria. Para isso, Eusa investiu ainda mais em formação, incluindo cursos técnicos em colorimetria e química, o que lhe permitiu assinar e desenvolver as próprias fórmulas.
Criada em 2020, a marca de biocosméticos conta com produtos feitos apenas a partir de óleos, manteigas e extratos vegetais de origem amazônica. Entre as principais matérias-primas estão manteiga de cupuaçu, óleo de buriti, andiroba, copaíba, açaí, pracaxi e café robusta amazônico.
Eusa conta que grande parte desses insumos é adquirida de cooperativas locais e de mulheres que realizam a extração de óleos em suas próprias casas, a partir de orientações técnicas fornecidas pela empresa.
“A gente ensina o processo, compra o que elas produzem e ainda ajuda a criar conexões para que elas vendam para outros mercados”, explica Eusa.
De olho na sustentabilidade, a fábrica da Top Amazon, localizada em Ouro Preto do Oeste, Rondônia, utiliza energia solar e mantém ações de reciclagem de embalagens nos municípios onde atua.
O negócio é liderado majoritariamente por mulheres e tem forte presença no Norte do país, especialmente em Rondônia, Acre e Amazonas, onde mais de 500 salões de beleza trabalham com a marca.
*Reportagem de Rebecca Vettore, em colaboração com a ANBA


