São Paulo – A petrolífera francesa Total estuda a construção de um oleoduto para exportar a produção de petróleo do Sudão do Sul, segundo reportagem do jornal The National, de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Após a separação do Sudão em julho, o Sul ficou com dois terços da produção sudanesa, estimada em 500 mil barris por dia, mas como não tem saída para o mar precisa da infraestrutura do Norte para escoar o petróleo.
O Sudão do Sul e o Sudão ainda não conseguiram chegar a um acordo sobre o valor que o primeiro deve pagar ao último pelo transporte do óleo. Essa é apenas uma das disputas ainda não resolvidas entre os dois países.
Em novembro, o Sudão anunciou que havia deixado de exportar petróleo pelo Oleoduto Greater Nile, que liga o Sudão do Sul ao Mar Vermelho. A razão alegada, de acordo com o jornal, foi que o Sudão do Sul não quitou uma dívida de US$ 727 milhões em taxas acumuladas. O Sudão do Sul, por sua vez, nacionalizou os ativos da petrolífera estatal sudanesa Sudapet em seu território.
A petrolífera francesa busca uma forma de viabilizar seus interesses no Sudão do Sul, segundo informou o presidente da companhia, Christophe de Margerie, durante o Congresso Mundial do Petróleo, realizado na semana passada em Doha, no Catar. A Total tem planos de construir um oleoduto para ligar os campos que está adquirindo em Uganda a um porto no Quênia. O oleoduto poderia ser ampliado até o Sudão do Sul.
"O oleoduto, que planejamos para os blocos que estamos negociando, mas ainda não são nossos, em Uganda, pode realmente ser esticado até o Sudão do Sul, transformando-se em um polo para transporte do petróleo de diferentes fontes”, disse Margerie, de acordo com o The National.
A total se comprometeu a comprar blocos de produção em Uganda com 1,1 bilhão de barris em reservas comprovadas, com potencial para alcançar até 2,5 bilhões. A empresa tem ainda uma licença para exploração de petróleo no Sudão do Sul.
Para o executivo, a ampliação do oleoduto até o Sudão do Sul pode ampliar a lucratividade do projeto em Uganda. "Dizemos sempre ao governo de Uganda que eles devem levar em conta o potencial de produção dos países vizinhos para reduzir o custo do oleoduto,” declarou Margerie, acrescentando que não há um prazo para a obra. O projeto, em sua avaliação, pode ser benéfico para as empresas CNPC, da China, e Petronas, da Malásia, que também tem capital investido nos campos do Sudão do Sul.
Preocupado com seus interesses petrolíferos, o governo chinês pediu aos governos do Sudão do Sul e do Sudão que resolvam a disputa.
*Tradução de Mark Ament

