Marina Sarruf
São Paulo – A trading Taurus, dos Emirados Árabe Unidos, quer abrir um showroom de móveis brasileiros em Dubai no próximo ano. O gerente-geral da empresa, Navid Nikmorad, está em São Paulo justamente para encontrar empresários interessados em investir no negócio. Ele é um dos seis importadores dos Emirados, Jordânia e Líbano que estão participando da Feira Internacional de Vendas e Exportação de Móveis (Fenavem), que começou ontem (01) no pavilhão de exposições do Anhembi.
Nikmorad está em busca de empresas brasileiras interessadas em expor seus produtos em Dubai. "Estamos procurando brasileiros para investir nessa idéia", disse ele. Para participar, o interessado terá que pagar uma taxa que ainda não foi definida. "Vamos convidar arquitetos e designers de interiores para decorar o espaço para privilegiar os produtos brasileiros. Queremos montar o espaço numa área de prestígio em Dubai", acrescentou.
Essa é a primeira vez que o representante da Taurus vem ao Brasil. Entre os principais produtos que a trading importa estão cadeiras, mesas, prateleiras e armários para residência e hotéis. Segundo Nikmorad, a empresa importa móveis apenas da Espanha, mas pretende começar a comprar do Brasil também. Além da Espanha, a trading importa tecidos, luminárias e carpetes da Alemanha e distribui para Arábia Saudita, Kuwait, Dubai, Bahrein e Catar. "Estamos abertos para discutir negócios com empresas brasileiras", afirmou.
Já o importador da Jordânia, Naser Tahboub, proprietário da trading Tahboub, tem interesse em formar joint-ventures com indústria brasileiras de móveis. "Temos que fazer parcerias e trabalhar juntos para alavancar os negócios do Brasil com os países árabes", afirmou. Segundo ele, os produtos poderiam ser fabricados no Brasil e finalizados na Jordânia.
Tahboub acredita que o Brasil tem potencial no setor moveleiro e tem preços competitivos. No entanto, ele declarou que as empresas brasileiras têm que conhecer melhor o consumidor árabe e fabricar produtos que estejam mais de acordo com o gosto local. "Os empresários brasileiros devem visitar mais o mercado árabe para conhecê-lo melhor", disse. De acordo com ele, o móvel brasileiro ainda é pouco conhecido nos países árabes. "Com exceção de Dubai, o comércio de móveis do Brasil com os outros países árabes é mínimo", afirmou.
A trading jordaniana importa, além de móveis, estofados, gabinetes e sanitários. "Trabalhamos com diferentes produtos. Tudo que uma casa precisa para ser montada", disse Tahboub, que já importa de 15 países, entre eles Estados Unidos, Alemanha, Canadá, Espanha, Itália, Malásia e Indonésia. "Compramos cerca de 20 contêineres por mês", afirma o empresário.
Outro importador, também da Jordânia, Mahmoud Farmawi, membro da Associação de Móveis da Jordânia e gerente-geral da empresa Interiors, de Amã, afirmou que os produtos brasileiros são bem diferentes do que os árabes estão acostumados. "Até os padrões de medidas são diferentes, principalmente para móveis de quarto", disse. Ele espera encontrar produtos feitos com madeira maciça.
Rodadas de negócios
O projeto Brazilian Furniture, que trouxe trinta compradores estrangeiros para a feira, é resultado de uma parceria entre a Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex) e a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel). Além dos árabes, participam empresários de países como o México, Panamá, Peru, Inglaterra, França, Alemanha, Eslovênia, Cabo Verde, Austrália, Nova Zelândia e Rússia.
De acordo com o gerente administrativo e financeiro da Abimóvel, Carlos Henrique Moreira, as rodadas de negócios com os importadores devem gerar US$ 8 milhões nos cinco dias de feira. Moreira acredita que nos doze meses seguintes à feira muitos contratos ainda vão ser fechados e o valor de negócios pode chegar a US$ 12 milhões.
Segundo Moreira, quase todos os importadores que estão participando das rodadas de negócios ainda não negociam com o Brasil.
Exportações
De acordo com o presidente da Abimóvel, Domingos Rigoni, as exportações brasileiras do setor devem atingir US$ 1,1 bilhão esse ano, contra US$ 941 milhões do ano passado. No entanto, para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, que esteve na abertura da Fenavem, o Brasil ainda participa de forma insignificante no mercado mundial. "Em três anos esse setor vai mais do que dobrar as exportações", diz.
A 24ª edição da Fenavem é organizada pela Messe Frankfurt Feiras e conta com 350 expositores em 22 mil metros quadrados de espaço. São esperados 50 mil visitantes nos cinco dias de feira, 50% a mais que no ano passado e 2,5 mil visitantes estrangeiros ao todo. A feira termina na sexta-feira (05).

