Alexandre Rocha
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São Paulo – A trading Latinex, de Curitiba, acaba de fechar sua primeira venda para a Líbia. De acordo com Eduardo Moraes, sócio da empresa, foram entregues há cerca de duas semanas três contêineres de 40 pés de biscoitos sortidos no valor de US$ 90 mil. A companhia é especializada em exportações de alimentos e bebidas.
O comprador, segundo Moraes, é um distribuidor líbio que também é dono de um shopping center no país, com supermercado e lojas. Ele espera que as vendas se tornem regulares, com o embarque de quatro contêineres de produtos a cada 45 ou 60 dias.
O primeiro contato entre os dois empresários foi feito durante a Feira Internacional de Trípoli, capital do país árabe, realizada em abril. A mostra contou com um estande da Câmara de Comércio Árabe Brasileira onde a Latinex e a Itatiaia Móveis, de Minas Gerais, estiveram como expositoras.
“A paciência e a persistência são duas características essenciais para negociar com o mundo árabe, pois o tempo deles é diferente”, disse Moraes, que tem se especializado em desbravar mercados ainda pouco explorados pelas empresas brasileiras. “Não pode desistir”, acrescentou.
Para ele, sem o apoio da Câmara Árabe na participação na Feira de Trípoli provavelmente o negócio não teria se concretizado. Agora ele pretende promover outros produtos no mercado, especialmente alimentos enlatados.
Numa segunda fase, Moraes acredita que haverá boa demanda por matérias-primas para a indústria alimentícia, setor hoje em formação na Líbia. “Só para dar uma idéia, hoje existem lá apenas uma fábrica de iogurtes e três de sucos. A indústria está começando, mas crescendo muito”, afirmou.
Segundo o empresário, há oportunidades também para companhias que atuam na área de projetos industriais, por conta da necessidade de industrialização do país. Em sua avaliação as empresas não podem ter medo de desbravar.
Comércio em crescimento
O comércio entre o Brasil e a Líbia está em franco crescimento. De janeiro a novembro deste ano as exportações brasileiras ao país árabe renderam US$ 218 milhões, um aumento de 13,6% em comparação com o mesmo período de 2006. Os principais itens embarcados foram minério de ferro, açúcar, carne bovina, um jato da Embraer e leite e derivados.
As importações, por sua vez, somaram US$ 890 milhões, um crescimento de 208% em comparação com o período de janeiro a novembro do ano passado. Petróleo e nafta responderam pela totalidade da pauta. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
A economia da Líbia é fortemente baseada no ramo do petróleo, que responde por 95% das exportações e por 25% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com informações da Câmara Árabe. As receitas da commodity têm impulsionado um forte crescimento econômico. A Economist Intelligence Unit (EIU), divisão de análise econômica da revista britânica The Economist, estima que o PIB do país chegará a US$ 55,9 bilhões este ano.
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