Brasília – O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse hoje (07) que as tradings – empresas que financiam os agricultores com a compra antecipada da produção e fornecimento de insumos – já começam a retornar ao mercado interno, o que pode dar uma segurança maior ao setor. Segundo ele, essa foi a indicação dada por especialistas que se encontraram com ele no início desta semana na Bolsa Mercantil e de Futuros/Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F/Bovespa), na capital paulista.
"Tanto em termos de mercados futuros os compradores estão voltando como, com muita cautela, também estão voltando os financiadores externos, o que pelo menos é um sinal positivo", afirmou o ministro.
Stephanes reconheceu, no entanto, que esse sinal não resolve as necessidades de financiamento. "É bom, reduz as nossas necessidades internas, mas de qualquer forma mantenho a defesa de que precisamos entre R$ 90 e R$100 bilhões [para financiamento público da safra 2009/2010]."
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, já disse que o valor pedido por Stephanes pode não ser atendido integralmente pelo governo. O problema de crédito para o financiamento da safra se intensificou depois da crise econômica mundial, quando tradings saíram do mercado interno.
De acordo com cálculos do setor, essas empresas eram responsáveis pelo financiamento de mais de 30% da safra brasileira. Em algumas regiões, como o estado de Mato Grosso, elas chegavam a um patamar de financiamento de 70% da produção. Com a retomada na liberação de crédito por algumas instituições financeiras internacionais, as tradings que tinham desaparecido do mercado reiniciam suas atividades no país.

