São Paulo – O crescimento das relações árabes e sul-americanas já chegou até a literatura. As traduções de livros nos idiomas das duas regiões vêm crescendo desde que os chefes de estado começaram a se encontrar, há quatro anos, e foi tema de uma reunião técnica de ministérios da cultura da América do Sul e países árabes, que ocorreu ontem (20) no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Hoje (21), a literatura também estará na pauta do encontro de ministros, que ocorre no mesmo local.
O Brasil já se encarregou de traduzir, por exemplo, contos dos escritores brasileiros Guimarães Rosa e Machado de Assis, que estão apenas aguardando publicação. O mesmo foi feito, para o português, com poemas do árabe Mahmud Darwish. O andamento das traduções consta no plano de ação do encontro de ministros e foi apresentada aos participantes da reunião de ontem. Também está em andamento uma publicação de gramática árabe para sul-americanos, que deve estar pronta em outubro deste ano.
Há ainda outras iniciativas de tradução de livros a cargo da Venezuela, Argélia e Peru. A versão árabe da obra Doña Bárbara, de Rômulo Gallegos, da Venezuela, por exemplo, deve ser imprensa novamente. Ainda no mundo dos livros, também foi discutida ontem a criação da Biblioteca da Aspa, que deverá ter sede na Argélia, e o intercâmbio entre bibliotecas da América do Sul e países árabes por meio de seminários. Essa é uma das propostas que constam no plano de ação do encontro do Rio de Janeiro.
“As relações culturais têm avançado. Há vários esforços, como a Bibliaspa (biblioteca eletrônica da Aspa), as traduções de obras brasileiras para o árabe”, diz o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, que participou ontem do encontro. Na reunião foi apresentado também um projeto de uma mega-exposição a respeito das similaridades entre os rios Nilo e Amazonas, iniciativa do Museu Paraense Emilio Goeldi. A exposição deve ser educativa e itinerante, mas ainda depende de aprovação.
A declaração dos ministros, que deverá ser apresentada hoje e à qual a ANBA teve acesso, vai afirmar que foi inaugurada uma nova fase – que tem como prioridade a consolidação e aceleração da implementação dos mecanismos de cooperação – a partir da última Aspa, que ocorreu em março deste ano, em Doha, no Catar. No documento eles concordam, por exemplo, na criação de um comitê cultural da Aspa, que dará andamento aos projetos culturais entre as duas regiões.
Os ministros também vão afirmar, na declaração final do Rio, o suporte da Aspa para a conferência mundial “Aliança das Civilizações”, que o Brasil vai sediar no ano que vem. O encontro servirá como fórum para aprofundamento do diálogo religioso e cultural mundial. Os ministros pedem aos países da Aspa que participem da conferência.
O encontro de hoje terá a abertura do ministro da Cultura do Brasil, Juca Ferreira. Também vão fazer declarações o subsecretária geral de Assuntos Sociais da Liga Árabe, Sima Bahhouth, e o ministro da Cultura do Catar, Hamad Bin Abdulaziz Al-Kuwari, entre outras autoridades. Vai haver um painel sobre a política nacional brasileira de museus.

