Isaura Daniel
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São Paulo – O Brasil aumentou em 60% a exportação via aérea aos países árabes. Os envios de mercadorias feitos por avião passaram de 2,2 mil toneladas em 2006 para 3,4 mil toneladas no ano passado. Para os Emirados Árabes Unidos, país para o qual o Brasil ganhou um vôo direto em outubro, os embarques cresceram ainda mais, 169%, de 771,2 toneladas para 2 mil toneladas. "Já era esperado que isso acontecesse", afirma o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr.
Em valores, as exportações via aérea para os Emirados cresceram 127% entre 2006 e 2007, de US$ 22 milhões para US$ 52 milhões. Já os envios aéreos para a Liga Árabe tiveram um pequeno recuo, de 4%, de US$ 421 milhões para US$ 404 milhões. O presidente da Câmara Árabe acredita que o crescimento do volume acima do aumento em receita se deve à inclusão de produtos de menor valor nos envios aéreos nos últimos tempos. Isso pode ter ocorrido também em função da maior disponibilidade de meios de transporte aéreo, com a inauguração do vôo direto da Emirates, de São Paulo a Dubai, em outubro.
A linha direta, segundo Sarkis, também favoreceu o envio de alguns produtos, como frutas e flores, que precisam de viagens rápidas por serem perecíveis, e ajudou ainda setores como a indústria de máquinas e equipamentos, por exemplo, a mandarem peças de reposição de forma mais ágil. De fato, no último trimestre do 2007, após a abertura do vôo, houve crescimento de 109% nos envios aéreos Brasil aos Emirados sobre o mesmo período de 2006 em valores. Em volume, o aumento foi de 74%. Também para a Liga Árabe houve crescimento expressivo de exportações aéreas, de 45% em volume e de 159% em valores.
O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, acredita que os embarques de cargas aéreas para o mundo árabe cresceram em função da falta de uma logística fácil para a região, via navio, por exemplo. Segundo Castro, o transporte aéreo de mercadorias é entre seis a sete vezes mais caro que o marítimo. O vice-presidente da AEB acredita que possam ter sido enviados via avião, em casos de emergência, produtos que normalmente são exportados por navios. Ele lembra que há carência de navios em função da alta demanda por minérios e commodities.
Normalmente, afirma Castro, é utilizada a exportação via aérea para produtos de maior valor, como jóias ou até calçados mais caros. "Alguns perecíveis, como filé mignon, dependendo do preço do produto, pode até se justificar (a exportação aérea)", diz o vice-presidente da AEB. Castro acredita que a nova linha aérea direta da Emirates, que sai de São Paulo seis vezes por semana, possa estar estimulando sim os envios por avião. As exportações via aérea representaram, no ano passado, 0,018% do total que o Brasil vendeu ao mundo árabe em volume e 5,8% em valores. Para os Emirados, 0,10% do volume das mercadorias foi enviado por avião. Os embarques aéreos responderam por 4,3% do valor que o Brasil obteve com exportações ao país.
Os vôos da Emirates têm capacidade para levar 12 toneladas de cargas, além de passageiros. Quem opera no setor, em parceria com a Emirates, é a SkyCargo, que pertence ao mesmo grupo que a companhia aérea. Antes da inauguração do vôo direto, a SkyCargo enviava as mercadorias ao mundo árabe por outras companhias, que levavam os produtos até a Europa, de onde eram embarcadas em aviões da Emirates para o mundo árabe.

