São Paulo – É preciso ação forte e urgente do governo da Tunísia para que seja mantida a estabilidade econômica do país e impulsionada a criação de empregos. A necessidade de implementação de medidas ficou acertada entre os líderes do país árabe e uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) que esteve em Túnis nos últimos dias.
O grupo viajou ao país liderado pelo economista Björn Rother para revisão do programa levado adiante com a instituição financeira, a Facilidade de Financiamento Estendida. A aprovação pela diretoria do FMI da revisão implicará a liberação de US$ 319 milhões para a Tunísia, somando US$ 638,5 milhões em recursos disponibilizados até o momento.
A equipe do FMI parabenizou a determinação do governo para agir com rapidez. De acordo com Rother, a economia tunisiana enfrenta desafios significativos, como déficit fiscal e externo em níveis recordes, inflação em alta e dívida pública crescente, que ficou em 63% do Produto Interno Bruto (PIB) ao final do ano passado.
“Espera-se que o crescimento dobre em 2017, para 2,3%, mas ainda permanecerá muito baixo para que seja reduzido significativamente o desemprego, especialmente nas regiões do interior e entre os jovens”, disse o economista em material divulgado pelo FMI.
Devem estar no cerne da estratégia econômica do governo criar mais oportunidades econômicas e proteger a saúde das finanças públicas. No curto prazo, as prioridades devem ser o aumento da receita tributária, reformas no setor público que coloquem a massa salarial num patamar sustentável, redução de subsídios de energia e cobertura de déficit na Previdência.
O FMI também pede aumento dos gastos sociais e direcionamento da rede de proteção social para que o poder de compra dos mais vulneráveis seja protegido. O organismo afirma que uma política monetária mais restritiva ajudará a conter a pressão inflacionária e dará mais flexibilidade às taxas de câmbio para reduzir o déficit comercial.
A participação da Tunísia no G-20 Compacto com a África, parceria entre o grupo das maiores economias do mundo e o continente, será oportunidade para o país aproveitar o sucesso da conferência para investidores que fez ao final de 2016 e reafirmar a determinação do governo de construir um futuro econômico melhor para o país, segundo o economista Rother.
A equipe esteve com o primeiro-ministro, Youssef Chahed, com a ministra das Finanças, Lamia Zribi, o ministro do Investimento, Fadhel Abdelkefi, a ministra da Energia, Hela Cheikhrouhou, e o presidente do Banco Central, Chedly Ayari. Também teve discussões com representantes de entidades empresariais locais e da sociedade civil.


