Alexandre Rocha
São Paulo – A Tunísia está interessada em atrair investimentos brasileiros, tanto que as vantagens oferecidas pelo país árabe aos investidores estrangeiros foi um dos principais destaques do seminário sobre cooperação industrial Brasil-Tunísia realizado hoje (26) pela manhã na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O evento abriu oficialmente a 2ª Jornada Tunisiana de Negócios que vai até quarta-feira (28) na capital paulista.
"A Tunísia oferece vantagens significativas para os investimentos estrangeiros, como isenção total de impostos para essa atividade por 10 anos e garante a liberdade de transferência de capitais e lucros", disse o embaixador tunisiano em Brasília, Hassine Bouzid.
O presidente do Centro de Promoção de Exportações da Tunísia (Cepex), Ferid Tounsi, acrescentou que o sistema vale para empresas estrangeiras que queiram implantar plantas offshore, ou seja, produzir no país para exportação ou até para reimportar, como já fazem companhias européias instaladas por lá.
Bouzid listou uma série de outros fatores, como uma economia "liberal e aberta" com "grande espaço para a iniciativa privada". "O comércio exterior representa 80% de nosso produto interno bruto", afirmou. Ele ressaltou também que economia tunisiana é competitiva, cresceu 5% ao ano entre 1999 e 2003, com uma inflação controlada abaixo de 3%.
O diplomata destacou ainda que a mão de obra local é qualificada e o país conta com uma infra-estrutura moderna de transportes e telecomunicações, além de gozar de uma "posição estratégica" na África, perto da Europa e do Oriente Médio.
Ele ressaltou também que a Tunísia pode servir de porta de entrada para os empresários brasileiros nos mercados da Europa, África e Oriente Médio e citou os acordos de livre comércio que seu país tem com a União Européia e de preferências com outros países da África.
Tounsi acrescentou que a partir de janeiro de 2005 entrará em vigor também um acordo de livre comércio entre os países árabes, do qual a Tunísia é signatária.
Bouzid disse que os empresários brasileiros podem investir em uma série de setores, como o de produtos eletrônicos, indústria automobilística, equipamentos elétricos, couro e calçados, móveis e produtos farmacêuticos. Ele ressaltou que cerca de 2,3 mil empresas estrangeiras já estão instaladas na Tunísia, provenientes de países como Estados Unidos, Japão, Coréia do Sul, França, Itália, Alemanha, Bélgica e Holanda.
"Esperamos que o Brasil venham também fazer parte dessa lista de investidores", declarou.
O embaixador acrescentou, porém, que as parcerias na área industrial são uma via de duas mãos. Ou seja, existe também interesse de empresas tunisianas em investir no Brasil, como é o caso do grupo Elloumi, que quer construir no país uma fábrica de fios e cabos para a indústria automobilística, conforme a ANBA revelou hoje mais cedo.
Na avaliação de Paulo Sérgio Atallah, presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), as parcerias industrias "fazem sentido econômico". "Quando isso engatar vai embora", disse. De acordo com ele, um dos pontos altos da Tunísia é a "qualidade de seus empresários".
Após o seminário foi assinado um acordo de cooperação entre a Agência (Tunisiana) de Promoção de Investimentos Estrangeiros (Fipa) e o Investe Brasil, agência brasileira de promoção de investimentos. O convênio, de acordo com o presidente do Investe Brasil, Rudolf Hohn, prevê a troca de informações entre os dois órgãos, os tunisianos vão suprir os brasileiros com informações sobre oportunidades de negócios e vice-versa.
"É o momento certo de começar este intercâmbio, pois o Brasil precisa expandir suas portas de entrada na África e na Europa", disse Hohn.

