São Paulo – A Tunísia pretende aumentar sua produção de fosfato para 12 milhões de toneladas em 2020. O volume fabricado fechou abaixo de três milhões de toneladas do ano passado. As informações são de Kamel Ben Naceur, ministro da Indústria, Minas e Energia do país árabe, que participou do Fórum Econômico Brasil Tunísia, nesta terça-feira (06), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
“A produção baixou de oito milhões [de toneladas] em 2010 para menos de três milhões em 2013. O objetivo este ano é voltar aos cinco milhões ou 5,5 milhões, e em 2016, subir até oito milhões, e aumentar a produção para 12 milhões em 2020”, afirmou Naceur.
O ministro disse também que está discutindo possibilidades de cooperação nesta área com a brasileira Vale, com quem teve reunião na segunda-feira (05). “Estamos falando de excelentes oportunidades. Primeiro na parte de tecnologia, porque a Vale tem experiência no transporte de fertilizantes com água por dutos. Esse tipo de sistema poderia ser muito interessante para nós, em minas que tenham produção de dois a três milhões de toneladas por ano”, contou.
Outra possível cooperação com a mineradora brasileira, afirmou Naceur, é em um projeto de uma mina de fosfato no centro-oeste da Tunísia. “É um investimento de US$ 2,5 bilhões. Vamos ver como podemos otimizar todo o ciclo usando o conhecimento de empresas como a Vale”, disse.
Ele apontou ainda outros setores que podem gerar parcerias entre os dois países. “As oportunidades de cooperação com o Brasil estão em setores como elétrico, eletrônico, mecânico, de têxteis, sapatos e couros, agroalimentar, farmacêutico, aeronáutico, serviços terceirizados, turismo e serviços logísticos”, ressaltou.
Marcelo Sallum, presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, participou do encontro na Fiesp e falou sobre os números do comércio entre Brasil e Tunísia, apontando possibilidades de crescimento. “Em 2013, a corrente comercial entre os dois países foi de US$ 426 milhões. Ainda é um volume muito pequeno. Acreditamos realmente que existem oportunidades de expansão dos negócios em ambos os lados”, afirmou.
Michel Alaby, diretor-geral da Câmara Árabe, ressaltou a importância de as empresas brasileiras terem em mente a questão da internacionalização, ou seja, de se instalarem em outro país. “As exportações do Brasil [para a Tunísia] são muito vinculadas a matérias-primas e alimentos, mas podemos produzir alimentos também lá, onde há uma mão de obra produtiva e efetiva.” Como exemplos de companhias brasileiras que já estão no país árabe, ele mencionou as marcas Dumond, de calçados, e a Votorantim, de cimento.
Sabri Bachtobji, embaixador da Tunísia em Brasília, destacou a importância do evento na aproximação das empresas dos dois lados. “Esse evento de hoje vai ajudar a indústria brasileira a ser parceria privilegiada da indústria tunisiana”, disse.
Ricardo Schaefer, secretário executivo do Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC), falou sobre o momento político vivido pela Tunísia atualmente e como o Brasil pode se beneficiar dele. “Expandir o comércio e a cooperação com os países da África é um dos objetivos do governo brasileiro”, apontou.
Khalil Labidi, diretor-geral da Agência Tunisiana de Promoção de Investimentos Exteriores (Fipa), destacou as vantagens para a instalação de empresas em seu país. “A Tunísia oferece vantagens fiscais e financeiras muito importantes para os investidores. As empresas exportadoras do país vendem 70% de sua produção ao mercado externo e 30% no mercado local”, contou.
O evento contou também com a presença de Rubens Hannun, cônsul honorário da Tunísia em São Paulo e vice-presidente de Comércio Exterior da Câmara Árabe, e de Heinz Huyer, cônsul honorário da Tunísia no Rio Grande do Sul.


