Alexandre Rocha, enviado especial
Brasília – A Tunísia está interessada no projeto brasileiro de difusão do uso dos chamados softwares livres, que são programas de computadores distribuídos gratuitamentes e que já estão sendo utilizados em repartições públicas brasileiras como forma de promover a inclusão digital.
"Acreditamos que o Brasil atingiu um grande progresso nos setores de informática e telecomunicações. Atualmente o país está desenvolvendo uma estratégia que é muito importante para a Tunísia e também para os países africanos e árabes, que é o software livre. Estamos muito interessados nesse projeto e queremos que o Brasil nos ajude nessa questão", disse à Agência de Notícias Brasil Árabe (ANBA) o ministro tunisiano dos Negócios Estrangeiros, Abdelbaki Hermassi.
Em novembro, a Tunísia vai sediar a segunda parte da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, evento promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) que teve sua primeira fase em dezembro de 2003, em Genebra, na Suíça. Um dos principais objetivos do encontro será criar mecanismos para a inclusão digital e, de acordo com Hermassi, a questão do software livre deverá ser um dos pontos centrais de discussão.
"Trata-se de uma maneira de diminuir a distância que há entre os países que têm acesso às tecnologias e os países que não têm. O software livre será um ingrediente importante da cúpula de Túnis e terá a participação do Brasil e (das decisões) desta cúpula (dos países árabes e sul-americanos)", acrescentou o chanceler.
O texto final da declaração da cúpula dos países árabes e sul-americanos, que foi apresentado ontem (11), em Brasília, "reafirma a importância da segunda parte da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação" e sugere uma participação em massa e de "alto nível" dos países interessados.
O documento reconhece o "impacto positivo" que as tecnologias da comunicação e informação podem ter na promoção da cooperação entre os países e na redução das desigualdades digitais entre eles.
Organização mundial
Coincidência ou não, o vice-presidente de tecnologia e logística do Banco do Brasil, José Luiz de Cerqueira César, deu uma palestra ontem, no encontro empresrial paralelo à cúpula de Brasília, e lançou a idéia de se criar uma "organização mundial do software livre".
A proposta, de acordo com informações do banco estatal, é envolver governos, entidades e empresas para dar força à certificação e difusão do software livre e fazer frente ao poder das grandes companhias do setor.
Na cúpula de Brasília, os computadores que ficaram à disposiçã do público e da imprensa, disponibilizados pelo governo brasileiro, dispunham de alguns programas de livre distribuição. Como é o caso do editor de texto que foi utilizado para escrever esta reportagem.

