Isaura Daniel, enviada especial
Novo Hamburgo – A fabricante tunisiana de artefatos de couro Abdelhedi começou ontem (05) a discutir a formação de uma parceira com um curtume brasileiro. O proprietário da companhia, Mustapha Abdelhedi, está no Brasil para participar da Feira Internacional de Couros, Químicos, Componentes e Acessórios, Equipamentos e Máquinas para Calçados e Curtumes (Fimec), que começou ontem na cidade de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.
Abdelhedi propôs à empresa brasileira, uma das expositoras da mostra, a realização de um projeto conjunto por meio do qual a fábrica do Brasil forneceria o couro, a Abdelhedi fabricaria os artefatos e as duas exportariam o produto final. A empresa brasileira ficaria responsável pelas vendas na América do Sul e a tunisiana na África e na Europa. A Tunísia fica no Norte da África e tem um acordo de comércio com a União Européia, que isenta os produtos de taxa nas vendas para o continente.
“Comecei a conversar com um fornecedor de couro hoje e vamos continuar conversando amanhã. Só depende da vontade do parceiro”, diz Mustapha. O empresário tunisiano, que também é vice-presidente da Federação Nacional do Couro e Calçados da Tunísia (FNCC), prefere não revelar o nome da companhia com a qual está negociando. A Abdelhedi fabrica entre 2 mil e 2,5 mil artefatos por mês e exporta a totalidade da produção para França, Itália e países árabes. A empresa produz artefatos como bolsas, pastas, mochilas e cintos.
O proprietário da companhia participa da Fimec como parte de um Projeto Comprador, programa por meio do qual entidades brasileiras trazem para o país potenciais importadores e os colocam em contato com empresas nacionais. Mustapha é um dos convidados da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), que executa o projeto com apoio da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).
Além do proprietário da Abdelhedi, também participam da Fimec os tunisianos Mounir Bena Arab, da fábrica de calçados Look Export, Zouhir Mejdoub, da importadora tunisiana de componentes Mondial Cuir, e Salem Fekih, diretor da FNCC. Quatro empresários egípcios também estão na mostra como convidados do Projeto Comprador. A Assintecal trouxe para a Fimec 20 empresários de oito países. Além dos árabes, estão na feira importadores da África do Sul, Equador, Peru, República Dominicana, Venezuela e Colômbia.
Rodadas de negócios
Junto com os demais importadores convidados pela Assintecal, os tunisianos e egípcios participaram na terça-feira, um dia antes do início da feira, de rodadas de negócios com empresários brasileiros. A Artecola, fabricante gaúcha de componentes para calçados como adesivos, couraças e contrafortes (estrutura interna do calçado) e palmilhas, além de calçados de segurança, foi uma das empresas que conversou com tunisianos e egípcios.
Apesar de a empresa ser exportadora e ter até unidades fora do país, a Artecola ainda não vende para o mercado egípcio ou tunisiano. O supervisor de vendas da Artecola, Rafael Hoffmeister, porém, acredita que as conversas iniciadas podem render negócios. De acordo com ele, o empresário egípcio com o qual conversou pediu muitas informações sobre preços.
O supervisor acredita que há boas chances para os produtos da Artecola no mercado árabe, principalmente em países produtores de petróleo. “O setor petrolífero precisa muito de calçados de segurança. Esse pode ser um grande mercado”, diz. Os calçados de segurança são aqueles utilizados por funcionários para proteção durante a jornada de trabalho.
Fimec
A Fimec segue até o próximo sábado no Parque de Exposições da Fenac. Os empresários árabes, além de seguir fazendo contatos na feira, vão também visitar fábricas e instituições gaúchas de tecnologia de couro e calçados durante a estadia no Brasil. A feira começa às 13h e termina às 20h. A abertura oficial ocorreu no final da tarde de ontem, com a presença de autoridades do estado do Rio Grande do Sul.

