Túnis – O azeite de oliva é um dos principais itens de exportação da Tunísia e está profundamente ligado à cultura e à história do País, mas os tunisianos querem mais, pretendem aumentar e agregar valor à produção e ampliar a rentabilidade das vendas externas. Uma das prioridades é a promoção do óleo engarrafado, pois a maior parte dos embarques da mercadoria ocorre a granel.
Uma das ações de incentivo nesse sentido é a entrega do Prêmio de Melhor Azeite de Oliva Engarrafado da Tunísia, cuja terceira edição ocorreu nesta quinta feira (16) no hotel Ramada Plaza, em Túnis. Para dar uma ideia da importância do setor para a economia local, foi o primeiro ministro Habibi Essid quem fez a entrega do troféu ao vencedor.
“A situação atual pode melhorar”, disse o chefe de governo antes da entrega do prêmio. Segundo ele, a Tunísia produz cerca de 180 mil toneladas de azeite por ano e exporta 150 mil toneladas. Essid destacou, porém, que o país tem condições de ampliar a produção para 300 mil toneladas e a exportação para 200 mil toneladas. “Mas há desafios”, destacou.
Entre estes desafios, ele citou o aumento da concorrência internacional, a necessidade de ampliar a área plantada com oliveiras – hoje são 1,1 milhão de hectares, o que representa dois quintos da área cultivável do país, com 80 milhões de árvores -, ganhar mais produtividade e modificar a estrutura nacional de produção e exportação. “Para este nível de concorrência, nós devemos ter como objetivo a qualidade”, ressaltou.
Cerca de 70% do azeite produzido na Tunísia é extra virgem, segundo o primeiro-ministro, mas nas exportações apenas 16 mil toneladas são embarcadas engarrafadas. “É um produto estratégico que nos oferece oportunidades de investimentos, de geração de empregos e de divisas”, declarou o presidente da Câmara de Exportadores de Azeite de Oliva, Abdessalem Loued. Nesse ponto, ele acrescentou que há a meta de aumentar as vendas externas do produto engarrafado para 30 mil toneladas em cinco anos.
Loued destacou, porém, que o país já está na segunda colocação entre os maiores produtores mundiais de azeite e que os principais mercados são a Europa, Estados Unidos, Ásia, África e o mundo árabe.
O ministro da Indústria, Energia e Minas, Zakaria H’mad, ressaltou que, apesar da posição que o país ocupa no setor, para agregar valor à produção é preciso promover ainda mais as exportações e a imagem da Tunísia no exterior. O prêmio foi organizado por órgãos do ministério.
História
Além de representantes do governo e da indústria, a cerimônia teve a participação de especialistas em literatura, história e culinária. A escritora Alia Mabroux, por exemplo, falou sobre uma oliveira de 2,5 mil anos localizada no vilarejo de Charf, numa península a noroeste de Túnis, que foi visitada pela reportagem da ANBA mais cedo nesta quinta-feira.
“As oliveiras são cultivadas aqui desde quatro séculos a.C.”, disse ela. A árvore em questão tem oito metros de altura e foi cultivada, pois as oliveiras não são nativas da Tunísia. Ela está localizada ao lado do túmulo de um homem que é considerado santo pelos habitantes locais.
A isso o especialista em arqueologia romana e bizantina Taher Ghalia acrescentou que as oliveiras foram introduzidas na região pelos fenícios, e exibiu a imagem de um mosaico do século 5 a. C. que mostra a extração do azeite. “É uma produção que já era habitual na antiguidade”, afirmou. Os cartagineses produziram, depois os romanos e por fim os árabes.
Já Samira Sifi, diretora no Centro Tunisiano de Azeite de Oliva, destacou as propriedades benéficas do produto, como a menor incidência de doenças cardíacas nas populações que o consomem e a realização de pesquisas que indicam potencial para tratamento de doenças do fígado e até da leishmaniose.
Mas como azeite é para comer, o chef Rafik Tlatli falou sobre sua ampla utilização na culinária tunisiana. “Podemos usar com tudo!”, ressaltou. Ele citou saladas, molhos, pães, peixes, grelhados e sopas. “Todas as sopas [tunisianas] são cozidas com azeite”, garantiu. E mais: pode ser consumido no café da manhã e na sobremesa. Tlatli declarou que é comum misturar azeite com mel e comer com pão no café, e que o produto vai na receita de vários doces, como as baclavas, tradicionais iguarias árabes de massa folheada ou aletria (espécie de macarrão), recheadas com pistaches, amêndoas ou tâmaras.
Ao final, o auditório lotado viu a marca Al Jazira ser contemplada com o troféu de primeiro lugar e um cheque de 10 mil dinares (cerca de US$ 5 mil). Em segundo ficou a Ulysse Agroindústrias, que levou 7 mil dinares, e em terceiro a Setpa, que ganhou 5 mil dinares.
*O jornalista viajou a convite do Centro Técnico da Embalagem e do Acondicionamento (Packtec), órgão do Ministério da Indústria da Tunísia


