Alexandre Rocha
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São Paulo – O ramo de turismo no Brasil deverá continuar a crescer em 2008, segundo empresários e executivos do setor ouvidos pela Pesquisa Anual de Conjuntura Econômica do Turismo, divulgada ontem (17) pelo Ministério do Turismo e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com o estudo, 70% dos entrevistados apostam no crescimento da economia do país, 83% acreditam no aquecimento da indústria e esperam em média um aumento de 16,7% no faturamento das empresas.
Os pesquisadores da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da FGV ouviram empresários e executivos das 92 maiores companhias do ramo no Brasil, que juntas tiveram um faturamento de R$ 34,1 bilhões em 2007, incluindo empresas aéreas, agências de viagens, locadoras de automóveis, hotéis, operadoras de receptivo, operadoras de turismo, promotoras de feiras e eventos e companhias de transporte rodoviário.
Em 2007, segundo o estudo, a variação média do faturamento das empresas foi de 14,8%, impulsionada especialmente pelas locadoras de automóveis, companhias aéreas e operadoras de receptivo, e houve um crescimento de 23,5% na contratação de pessoal, influenciado principalmente pelas aéreas, locadoras e operadoras de turismo.
Em 2008, somente as operadoras de receptivo não esperam ampliação do faturamento. Para este ano as empresas prevêem um acréscimo de 8,5% no quadro de pessoal, especialmente as aéreas e locadoras, de 4,3% em média dos custos, principalmente as aéreas e operadoras de receptivo, e um aumento médio de 5,5% nos preços, especialmente também as aéreas e as operadoras de receptivo.
Todos os segmentos pesquisados pretendem investir em 2008, no caso das agências de viagem em média 3,2% do faturamento em tecnologia, infra-estrutura e treinamento; no das aéreas os aportes ocorrerão na compra de aeronaves, novas plataformas tecnológicas e em capacitação de mão-de-obra; no das locadoras na abertura de lojas, marketing e informática; e os hotéis pretendem investir em média 14,5% do faturamento na ampliação, renovação e manutenção do parque hoteleiro, informática e treinamento.
Já 55% das operadoras de receptivo prevêem fazer investimentos em tecnologia e marketing; as operadoras de turismo estimam aplicar em média 7,9% das receitas em informática, treinamento, abertura de lojas e desenvolvimento de novos produtos; as promotoras de feiras e eventos esperam aplicar em média 10,1% do faturamento em novos negócios, treinamento, tecnologia, locação de equipamentos e marketing; e as empresas rodoviárias pretendem investir na renovação da frota de ônibus, treinamento, tecnologia e marketing.
As empresas apontaram também alguns fatores que podem inibir o crescimento do ramo em 2008, como a carga tributária do país, a continuidade da crise do setor aéreo que atinge o Brasil desde o segundo semestre de 2006, a legislação inadequada, problemas na infra-estrutura aeroportuária, as condições das rodovias, entre outros.
Em 2007
A pesquisa revela também que 76% das empresas ouvidas investiram em programas de responsabilidade social e corporativa em 2007 e que 58% delas possuem orçamento específico para tanto. Elas investiram R$ 10,5 milhões no ano passado em ações voltadas ao meio ambiente e educação de crianças e adolescentes.
No ano passado, o turismo teve desempenho recorde no Brasil. Foram registrados quase 6,5 milhões de desembarques internacionais no país e mais de 50 milhões de desembarques domésticos, sendo que os gastos realizados por estrangeiros no território nacional chegaram a quase US$ 5 bilhões e os gastos feitos por brasileiros lá fora foi de US$ 8,2 bilhões. O déficit na balança cambial do turismo é atribuído à desvalorização do dólar frente ao real (16,7% em 2007), o que tornou as viagens internacionais e as compras no exterior mais baratas.
O desempenho da indústria é creditado ao bom momento da economia brasileira, que cresceu 5,4% no ano passado, o melhor resultado desde 2004, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

