São Paulo – O Egito recebeu 5,7 milhões de visitantes entre janeiro e julho deste ano, uma queda de 28% em comparação com o mesmo período de 2010. As informações são da agência egípcia de promoção turística (ETA, na sigla em inglês).
“Nós passamos por uma revolução, um ditador renunciou, um novo regime está em formação… O primeiro ano é um período de transição”, disse o presidente da operadora de turismo Gezira Travel, Nader El Biblawi, ao jornal Gulf News, de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Apesar da redução, o número de visitantes estrangeiros nos sete primeiros meses de 2011 foi maior do que o total que o Brasil recebe em um ano inteiro. No ano passado, por exemplo, 5,16 milhões de estrangeiros estiveram no Brasil.
A maioria dos turistas que visitaram o Egito é da Rússia, Reino Unido, Alemanha, Itália e França, de acordo com a publicação. O número de visitantes árabes caiu 18,6% nos sete primeiros meses do ano. Só em julho, a queda foi de 28,5%.
“Os protestos estão concentrados principalmente na Praça Tahrir, onde há seis dos hotéis preferidos dos árabes”, acrescentou Biblawi, segundo o jornal. Além do levante popular no próprio Egito, a instabilidade política em outros países da região contribuiu para a redução do turismo.
Para o presidente da Gezira Travel, a temporada de verão, que ocorre de junho a agosto, “foi pior do que o esperado”. “O turismo foi o setor mais afetado com a instabilidade política no Egito. Claro que o ramo imobiliário e o mercado de capitais também foram afetados, mas o turismo foi o mais prejudicado em minha opinião”, afirmou ele, de acordo com o Gulf News.
Segundo o chefe da área de Turismo Internacional da ETA, Samy Mahmoud, o número de visitantes de outros países árabes só não foi menor porque muitos líbios entraram no Egito fugindo do conflito civil na nação vizinha; houve um aumento no número de palestinos, como efeito da abertura da passagem de Rafah, na fronteira da Faixa de Gaza com o Egito; e cresceu também o ingresso de sudaneses.
Biblawi espera que o setor se recupere na temporada de inverno, no final deste ano e começo do próximo.

