São Paulo – A participação do Oriente Médio no fluxo global de turistas deverá passar dos atuais 6% para 8% em 2030, de acordo com relatório divulgado nesta quarta-feira (12) pela Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas (OMT), por ocasião da 19ª sessão da Assembleia Geral do Órgão, em Gyeongiu, na Coreia do Sul.
Isso significa que o número de pessoas que visitam a região por ano vai passar de 61 milhões em 2010 para 149 milhões em 2030, um aumento de 145%. “Os investimentos e o apetite por viagens das pessoas do Oriente Médio cresceram mais”, disse o gerente do programa de tendências do turismo e de estratégias de marketing da OMT, John Kester, de acordo com o jornal The National, de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Para se ter uma ideia, a participação da região no turismo mundial dobrou de 1980 para cá. Na avaliação de Kester, os habitantes do Oriente Médio estão “mais conectados ao resto do mundo” e há forte ligação da região com a Ásia e com a África. “Você vê isso se refletir no rápido crescimento das empresas aéreas da região”, declarou ele, segundo o jornal.
No total, a OMT espera que o fluxo internacional de turistas chegue a 1,8 bilhão de pessoas por ano em 2030, contra 940 milhões no ano passado. Isso significa um aumento anual de 3,3% em média, ou 43 milhões de viajantes a mais a cada ano. Em duas décadas, a organização prevê que cinco milhões de pessoas vão cruzar fronteiras internacionais diariamente em busca de lazer, negócios, visitas familiares, entre outros motivos.
Apesar de o crescimento anual estimado ser menor do que o verificado nas últimas décadas, o secretário-geral da OMT, Taleb Rifai, disse, segundo nota da organização, que o avanço do setor “oferece possibilidades imensas”. “Pois esses podem ser anos também de liderança, com o turismo liderando o crescimento econômico, o desenvolvimento social e a sustentabilidade ambiental”, declarou.
Nesse sentido, a OMT espera que o turismo vá crescer mais nos países em desenvolvimento (4,4% ao ano) do que nas nações desenvolvidas (2,2% ao ano), e que a partir de 2015 os primeiros vão receber mais visitantes do que os últimos. A parcela dos emergentes no bolo mundial deverá chegar a 58% em 2030.
De acordo com o estudo, as economias emergentes da Ásia, América Latina, Europa Central, Oriental e Mediterrânea Oriental, Oriente Médio e África deverão receber, em média, 30 milhões de turistas a mais por ano, contra 14 milhões dos destinos considerados mais tradicionais, como a América do Norte, Europa Ocidental e partes da Ásia e do Pacífico.
A participação da África no turismo mundial, por exemplo, poderá passar de 5% para 7%. A das Américas deverá avançar de 14% para 16%; a da Ásia e Pacífico de 22% para 30%; e a da Europa deverá cair de 51% para 41%.
O levantamento diz ainda que uma boa parte dos turistas em 2030 terá como origem a Ásia. É esperado um crescimento anual de 5% no número de viajantes originários da região, ou 17 milhões de pessoas a mais por ano.
“Paralelamente a essas oportunidades [abertas com o crescimento do turismo], vão surgir desafios no sentido de maximizar os benefícios sociais e econômicos do setor, e ao mesmo tempo minimizar os impactos negativos. Nesse sentido, é mais importante do que nunca que todo o avanço do turismo seja guiado pelos princípios do desenvolvimento sustentável”, destacou Rifai.

