São Paulo – Ahmad Serieh, um sírio de 43 anos, já fez escavações arqueológicas em locais como Bulgária, Polônia, no Egito e seu próprio país. Há dois meses, no entanto, ele passou a usar os seus conhecimentos para uma missão um pouco diferente, mas que também envolve cultura e história. Serieh se tornou diretor do Centro Cultural Árabe Sírio, instituição que fica na capital paulista e trabalha para aproximar árabes e brasileiros.
Serieh vive no Brasil desde o final de 2008 e desde lá era diretor da Biblioteca do Centro Cultural Árabe Sírio. Ele assumiu, com muitos planos, o posto de diretor da entidade, para o qual foi indicado pelo Ministério da Cultura da Síria. Na sua nova cadeira, na sede da instituição, Serieh já pensa, por exemplo, em expandir a atuação da instituição para outros estados e criar um laboratório de línguas na sede do Centro. O projeto do laboratório foi encaminhado para o Ministério da Cultura sírio e aguarda uma resposta.
Uma das principais atividades do Centro Cultural Árabe Sírio é o ensino do idioma árabe. A instituição promove cursos gratuitos, que alcançam cerca de 700 alunos a cada ano. As aulas ocorrem à noite. Com a criação de um laboratório, 20 computadores ficarão disponíveis o dia todo, para uso de interessados, que de posse de um CD e um livro, poderão aprender a língua árabe. A idéia é ter também professores de plantão para auxiliar no que for necessário.
Serieh espera que o projeto possa ser posto em pé no ano que vem e ressalta a importância do ensino do idioma árabe no Brasil. “É muito importante para a integração entre a Síria e Brasil”, diz o diretor. O Centro Cultural também tem outras atividades, como promoção de exposições e palestras, disponibilização de canais de televisão em árabe e jornais da Síria, organização de um grupo de danças árabes. A biblioteca da instituição tem 20 mil títulos para consulta. (assista abaixo entrevista em vídeo de Serieh)
A comunidade síria, de acordo com Serieh, vai muito ao Centro para se atualizar e manter em contato com o seu país de origem. Também os brasileiros procuram o local para se informar sobre a cultura e a história árabe e síria. Escolas públicas e universidades costumam levar seus estudantes para conhecer o Centro Cultural Árabe Sírio, conta o novo diretor. Nos corredores e salas da instituição, o idioma árabe é linguagem corriqueira.
O diretor
Serieh é graduado em História pela Universidade de Damasco, mas fez mestrado e doutorado na área de arqueologia. O primeiro foi sobre a urbanização da Mesopotâmia, três mil anos antes de Cristo, o segundo sobre a Mesopotâmia e o Egito Antigos. Os dois foram feitos na Universidade de Varsóvia, na Polônia, onde o diretor também deu aulas. Serieh também deu aulas em universidades de outros países, como Japão, Coréia do Sul e Itália.
No currículo do novo dirigente do Centro Cultural Árabe Sírio constam três meses de trabalho no Museu do Louvre e três anos a direção da área de Museus na Síria. No Brasil Serieh também costuma dar palestras sobre arqueologia. E espera uma chance para se tornar professor universitário. Muito à vontade no país, Serieh afirma que o Brasil é o país mais importante do mundo na atualidade, do ponto de vista econômico, e elogia as belezas naturais existentes e a hospitalidade da sua população.
“O Brasil é super rico, tem todo tipo de recursos naturais, bonitas florestas, as pessoas são muito amigáveis”, afirma. Ele diz encontrar muitas similaridades entre a mentalidade dos brasileiros e dos orientais, que ele descreve como pessoas de mente aberta e felizes. Serieh lembra também que a cultura brasileira tem heranças árabes. “No Brasil há muitos árabes, especialmente sírios e libaneses, mais de 15 milhões. Essas pessoas trouxeram sua cultura ao Brasil. O país tem hoje muitos elementos da cultura árabe, no folclore, na comida, os brasileiros conhecem quibe, homus, falafel”, afirma.

