São Paulo – A Câmara de Comércio Árabe Brasileira e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) vão explicar aos empresários brasileiros hoje (21) como participar do Centro de Negócios de Dubai. A estrutura, que fica na zona franca de Jebel Ali, no emirado de Dubai, é mantido pela Apex e a Câmara Árabe e funciona como uma base para as empresas brasileiras.
Um seminário sobre o tema, voltado a empresários com negócios ou interesse no mercado árabe, vai ocorrer na sede da Câmara Árabe, às 9h, em São Paulo. “Vamos mostrar aos empresários brasileiros, conhecedores ou não deste mercado, a oportunidade que se abre para incremento de negócios no mundo árabe através da parceria da Apex-Câmara Árabe com a criação do Centro e Negócios”, diz o diretor da Câmara, Wladimir Rafik Freua.
O Centro de Negócios oferece uma série de serviços para as empresas, que vai desde o trabalho de pesquisa de mercado, agendamento de visitas, espaço para estabelecimento de escritório, armazenagem de produto, embalagem e contratação de cargas. Em função de ter a participação do governo e da Câmara Árabe, o Centro de Negócios oferece custos mais baixos em relação ao estabelecimento de uma base individual.
Sem falar que ele serve de apoio para empresas que não têm experiência em exportação. O Centro, segundo Freua, é opção vantajosa tanto para empresas que já estão no mercado local quanto para as que não exportam. E o Centro de Negócios não serve apenas para quem quer vender nos Emirados. “A cinco ou seis horas de avião de Dubai você tem um mercado fantástico, não só árabe”, diz Freua, lembrando, por exemplo, da Índia.
Dubai e os Emirados se tornaram, na verdade, um porto mundial de reexportação. De acordo com dados do Economist Intelligence Unit, as reexportações dos Emirados Árabes corresponderam, no ano passado, a 34,8% do total exportado pelo país. Apesar de ter 9% das reservas de petróleo do mundo, o país vem buscando diversificar sua economia e por isso incentiva o desenvolvimento de diversos setores, principalmente o de serviços.
Terra de oportunidades
Diversas empresas brasileiras já perceberam a importância de ter suas bases fincadas na região e mantêm centros de distribuição, escritórios comerciais ou até lojas nos Emirados Árabes Unidos. A Soprano, fábrica de acessórios para móveis, equipamentos hidráulicos e materiais elétricos, tem um centro de distribuição em Dubai. Grandes companhias como a Randon, a Sadia, a Perdigão e a Odebrecht têm escritórios. E ainda marcas como Via Uno e Arezzo, de calçados, mantêm lojas na região.
A presença de empresas internacionais é uma realidade no emirado em função não apenas do mercado local existente, mas também da proximidade com os mercados da Ásia e África. Entre os atrativos de ter uma base local estão ausência de cobrança de impostos sobre o lucro, de barreiras comerciais, imposto aduaneiro de 4% e com isenções, além de custos trabalhistas, de energia e imobiliários competitivos. Os dados são parte de um levantamento do Departamento de Inteligência Comercial da Câmara Árabe.
O mercado local também é potencial em função da alta renda da população. Tanto que as importações do país cresceram 32% no ano passado. Os produtos brasileiros que têm mais participação nas importações dos Emirados, segundo o mesmo estudo da Câmara Árabe, são açúcar, carnes, preparações alimentícias e oleaginosos. Entre os que mais cresceram entre 2006 e 2007 estão cereais, aeronaves, frutas, oleaginosas, artigos em vidro, preparações alimentícias, eletrônicos e açúcares.

