A Construtora Norberto Odebrecht está à frente de dois projetos de grande porte na Líbia: os dois novos terminais de passageiros do Aeroporto Internacional de Trípoli e o terceiro anel viário da capital do país. Os terminais aéreos, quando prontos, terão potencial para receber 64 aviões simultaneamente e cerca de 20 milhões de passageiros por ano. Hoje a capacidade é de 3 milhões de pessoas.
Com isso, o governo líbio, além de incentivar o turismo no país, quer transformar Trípoli em um ‘hub’, ou seja, um centro de conexões para outros destinos, especialmente na África. A previsão é que 30% do movimento seja doméstico e o restante de passageiros em trânsito.
Multicultural
Uma característica das duas obras é a diversidade de nacionalidades dos trabalhadores. Hoje, de acordo com a empresa, trabalham 4 mil pessoas na construção do aeroporto de 25 origens diferentes. No anel viário atuam mais de 800 trabalhadores, sendo que 50% são líbios e os demais de 17 nacionalidades diferentes. Nos dois projetos trabalham 120 brasileiros.
Um desses brasileiros é Antonio Sales, de 52 anos, técnico especializado na coordenação geral de obras civis, lotado no canteiro do aeroporto. Paulista de Ilha Solteira, ele está há nove meses na Líbia e antes passou 10 anos trabalhando em obras em Angola.
Segundo ele, a adaptação não é fácil por causa das diferenças de cultura e idioma, mas no dia a dia do trabalho essas dificuldades vão sendo superadas. O que não dá para superar é a saudade da família, afinal sua mulher e filhos, já criados, permanecem no Brasil. Para atenuar o problema, a companhia garante 12 dias de folga para cada 75 trabalhados.
Muita procura
Na Argélia, segunda etapa da missão ao Norte da África organizada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o embaixador brasileiro em Argel, Sérgio Danese, foi avisando logo na chegada da delegação: “a Argélia é o mercado com o maior demanda reprimida da região, e estamos chegando atrasados.”
Ele relatou, porém, que o interesse dos empresários argelinos pelo Brasil vem aumentando a passos largos. Desde que assumiu a embaixada, em 2005, o número de vistos concedidos para homens de negócios praticamente quadruplicou.
Reservas
Um número que chamou a atenção dos empresários e membros do governo brasileiro que participaram da missão foi o alto volume das reservas internacionais da Argélia. O país acumula US$ 110 bilhões em moeda estrangeira, valor pouco menor comparativamente do que o do Brasil, que gira em torno de US$ 200 bilhões, considerando que a Argélia tem uma população de cerca de 34 milhões de habitantes e um PIB (Produto Interno Bruto) estimado em US$ 160 bilhões, ante 190 milhões de pessoas e um PIB de US$ 1,3 trilhão do Brasil.
Mamão com açúcar
Os países do Norte da África buscam atrair parcerias com empresas estrangeiras que envolvam transferência de tecnologia, e isso não significa obrigatoriamente ir atrás de acordos com grandes corporações.
Um dos integrantes da delegação brasileira era Ulisses Brambini, presidente da Bello, produtora e exportadora de frutas, especialmente mamão papaia, localizada no Sul da Bahia.
Em conversas durante jantar oferecido pela embaixada brasileira em Túnis, capital da Tunísia, ele passou a vislumbrar a possibilidade de produzir frutas no país com técnicas que utiliza no Brasil, no caso o uso de estufas que garantem a manutenção de um micro clima, mesmo em áreas quentes e secas.
Casablanca
Após falar das vantagens que o Marrocos oferece para empresas exportadoras que se instalam no país, o diretor do Centro Regional de Investimentos de Casablanca, Hamid Belafdil, decidiu vender seu peixe à platéia que acompanhava o seminário empresarial Brasil-Marrocos na sexta-feira (30).
Ele disse que a região de Casablanca, principal pólo econômico do país, tem 4 milhões de habitantes e necessidade atualmente de construir 35 mil habitações populares. Belafdil acrescentou que, em breve, será aberta uma zona industrial e comercial por lá com 5 mil hectares de área, onde companhias estrangeiras poderão se instalar.
Os principais setores da região, segundo ele, são a indústria têxtil, a agroindústria, o ramo automobilístico, o setor aeronáutico e a área de tecnologia da informação.
Plataforma
A Tunísia procura cada vez mais se firmar como plataforma de exportação de produtos para a Europa. O país oferece uma série de incentivos para companhias estrangeiras que decidam realizar investimentos industriais com vocação exportadora em seu território.
De acordo com dados do governo local, a Tunísia já é o primeiro fornecedor da União Européia entre as nações do Norte da África e pretende duplicar suas exportações industriais até 2016. Para tanto, além de incentivos fiscais, o país oferece aos investidores as facilidades de acordos de livre comércio que englobam mais de 50 países, inclusive os do bloco europeu.

