São Paulo – Ah, o Rio de Janeiro! Muito sol, praias lindas, Carnaval, Cristo Redentor, Pão de Açúcar. Quem se propõe a visitar a cidade maravilhosa e não desfruta dessas belezas e delícias que a tornam tão….maravilhosa?! É difícil ir ao Rio uma, duas, três, quatro vezes e não passar por seus belos cartões postais, mas a capital fluminense tem outros tantos endereços que muitas vezes não entram nos roteiros turísticos e merecem a visita.
Como foi capital da colônia e depois do Brasil entre 1763 e 1960, o Rio ainda guarda muitos monumentos, prédios e tesouros que têm relação com o Império ou que serviram aos chefes de governo que despacharam dali. É o caso, por exemplo, do Paço Imperial, que foi a sede da família Real portuguesa a partir de 1808, quando D. João VI fugiu de Napoleão Bonaparte para o Brasil com a família. Hoje o espaço é um centro cultural e histórico, que também recebe exposições e até apresentações de teatro.
Essa não é a única herança do Império. A Biblioteca Nacional é outra. Dona do maior acervo do País e considerada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo ela começou a surgir quando a família Real chegou ao Brasil e trouxe em sua esquadra 60 mil peças entre livros, mapas, moedas, medalhas, manuscritos e estampas.
Tratava-se dos bens da Real Biblioteca enviados ao Brasil quando Portugal foi invadido por França e Espanha. Junto com a Corte de Lisboa, vieram para o Brasil os bens mais valiosos da Real Biblioteca, que seria o começo da Biblioteca Nacional. Dois anos depois, D. João decretou que a Real Biblioteca fosse instalada nas catacumbas do Hospital da Ordem Terceira do Carmo. Hoje, 202 anos depois de sua criação, a Biblioteca Nacional abriga coleções de livros, mapas, moedas e obras de arte.
Além de capital da colônia, o Rio foi capital da República até a inauguração de Brasília. Entre 1889 e 1950, 18 chefes de estado despacharam do lugar onde atualmente funciona o Museu da República. Deste prédio construído em 1867 em estilo eclético já saíram declarações de guerra do Brasil contra a Alemanha, em 1917, e aos países do Eixo, em 1942, assim como a partir dele foi anunciada a implantação do Cruzeiro como moeda nacional, em 1942. Seus aposentos foram palco do suicídio do presidente Getúlio Vargas, em 1954, e do velório de Afonso Pena, em 1909.
Hoje, o Museu da República realiza exposições temporárias e apresenta fotos, documentos, mobiliários e obras de arte dos séculos 19 e 20. O museu também guarda um arquivo com documentos da República, assim como uma biblioteca com livros de história do Brasil do mesmo período.
Com ou sem apresentação no palco, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro é um espetáculo. Foi inaugurado em 1909 e em 2011 passou por obras de restauro que lhe devolveram seus aspectos originais. O desenho do prédio foi inspirado na Ópera de Paris. Um passeio pelo teatro revela surpresas nos detalhes: impressionam, por exemplo, o lustre da sala de espetáculos, feito em bronze dourado e com pingentes de cristal rodeado por um afresco de Eliseu Visconti. Na fachada, as paredes são de mármores italiano e belga. As 14 colunas principais são de mármore de Carrara. Alguns dos vitrais do foyer vieram de Stuttgart, na Alemanha. Esse espetáculo é aberto ao público em visitas guiadas.
Passeios monitorados também são oferecidos no Sítio Roberto Burle Marx. É neste espaço em Guaratiba, a mais de 30 quilômetros de distância do Centro, que o visitante encontra um dos maiores acervos do mundo de plantas. São 3.500 espécies distribuídas em 365 mil metros quadrados de área verde. Ao conhecer os estudos e as espécies preferidas do paisagista é possível entender por que seus desenhos de jardins sempre fizeram tanto sucesso no Brasil. Um exemplo desse talento fica mais perto do centro, nos jardins do Aterro do Flamengo, que ele projetou.
Assim como os jardins de Burle Marx, a Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, construída em 1976, também é um ícone moderno. Ela não se parece com uma igreja "tradicional". No entanto, para os seguidores da fé cristã está repleta de simbolismos que narram trechos bíblicos ou que sugerem ao visitante a presença constante de Deus.
Seu formato é o de um cone, com base e topo quase circulares. Não sem motivo. O desafio do arquiteto Edgar Fonceca ao projetar o prédio foi fazer com que uma cruz encerrasse o teto da igreja. O motivo? Sugerir a presença constante de Jesus Cristo. Esta cruz é complementada pelos vitrais que começam nas suas extremidades e só terminam no chão da igreja, 75 metros abaixo. A luz natural que entra pelos vitrais representa a presença constante de Deus e cada um deles simboliza os quatro características da Igreja: una, santa, católica e apostólica.
Entre os passeios "menos óbvios" deste Rio de Janeiro, a Confeitaria Colombo talvez seja o "mais óbvio" deles. Inaugurada em 1894 atrai muitos turistas. Na época da inauguração, os proprietários não escondiam que queriam ter no Rio de Janeiro uma confeitaria tão boa e com o mesmo estilo daquelas encontradas em Londres ou Paris.
Então, salões decorados com espelhos belgas, mármore italiano e móveis de jacarandá recebem os clientes que se deliciam com discos de pão de ló recheados de doce de leite, petit fours e casadinhos. Mas não se engane. Entre receitas importadas neste ícone da Belle Époque europeia está o pastelzinho de carne, tão popular em todo o Brasil, o campeão de venda nos balcões da Colombo. Depois de conhecer lugares tão diferentes, nada como voltar à boa e velha boemia carioca com um quitute tão popular. Afinal, aqui é o Rio de Janeiro!
Serviço
Museu da República – Rua do Catete, 153, Catete. Tel.: (21) 3235-3693
Confeitaria Colombo – Rua Gonçalves Dias, 32, Centro. Tel.: (21) 2505-1500
Catedral Metropolitana – Avenida Chile, 245, Centro. Tel.: (21) 2240-2669
Theatro Municipal – Praça Marechal Floriano, s/nº, Centro. Tel: (21) 2332-9191
Sítio Burle Marx – Estrada Burle Marx. Tel.: (21) 2410-1412
Biblioteca Nacional – Avenida Rio Branco, 219, Centro. Tel.: (21) 3095-3879
Paço Imperial – Praça 15 de Novembro, 48. Tel.: (21) 2215-2622

