São Paulo – Cem estrangeiros já estão cadastrados no Projeto de Apoio para Recolocação de Refugiados (PARR), lançado no começo de outubro para ajudar refugiados que vivem no Brasil a encontrar empregos na sua área de atuação. O programa é resultado de uma parceria do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e a Emdoc, empresa de consultoria de imigração para estrangeiros que vêm ao País e para brasileiros que partem para o exterior.
“Propusemos o projeto para auxiliar os refugiados no Brasil. Vimos que há dificuldade para eles se recolocarem no mercado de trabalho. Vamos atuar junto com as empresas, mostrar que os refugiados são mão de obra legalizada, mas são pessoas que não tinham segurança para viver em seus países”, diz o gestor de clientes da Emdoc e um dos idealizadores do PARR, Marcelo Kneip Pereira.
Ele afirma que os refugiados eventualmente conseguem encontrar emprego no Brasil. Muitos têm curso superior, mas dificilmente são contratados para atuar na sua área. “Às vezes, só encontram empregos que exigem pouca qualificação”, diz.
O Brasil tem 4,5 mil refugiados de 77 países. A maioria vem da África e da América Latina, especialmente Peru e Colômbia. O País é destino também de refugiados palestinos. Além destas pessoas, aqueles que vivem por aqui e já solicitaram refúgio ao governo brasileiro podem obter CPF e carteira de trabalho e, então, procurar emprego. As empresas, no entanto, ainda preferem preencher as vagas com profissionais brasileiros.
“Os refugiados enfrentam preconceitos, pois muitos acham que são criminosos que vieram para o Brasil”, diz Pereira. A Emdoc pretende entrar em contato cerca de 900 empresas com as quais já trabalha. As companhias cadastradas podem procurar os profissionais no site do PARR (veja abaixo).
Todo o projeto é financiado pela Emdoc. O Acnur irá colocar os refugiados relacionados em organizações não governamentais (ONGs) em contato com o projeto. Uma destas organizações é a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo. A instituição acolhe refugiados, oferece aulas de português e orienta os profissionais que chegam ao Brasil a obter a documentação. Ela ajuda ainda na elaboração de currículo.
Por enquanto, o projeto só é realizado na capital paulista. A proposta é ampliar o PARR para todo o País. “No Rio de Janeiro a Cáritas é muito grande. Sabemos que Manaus também tem muitos refugiados. Queremos atuar em todas as grandes cidades”, diz Pereira.
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http://dev-abcmix.com/emdoc2/

