São Paulo – A entrada na cidade de Pirenópolis, por meio do seu portal, pode dar a impressão que ali fica apenas mais um pequeno município do interior de Goiás, de ar puro e ambiente tranquilo. Mas algumas quadras adentro, a cidade de pouco mais de 20 mil habitantes começa a mostrar sua face histórica e charmosa. Ruelas se desenham exibindo casinhas antigas, coloridas pelo artesanato local pendurado na porta de muitas, um galo canta de vez em quando e dá até para escutar o barulho do rio das Almas, que perto dali oferece cachoeiras para o banho ou a simples vista.
No pé da Serra dos Pireneus, Pirenópolis é tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) por seu casario colonial desde 1986. O nome da cidade vem justamente da Serra, cujo nome foi dado por imigrantes espanhóis por ali verem semelhança com as montanhas que formam divisa natural entre França e Espanha. A Festa do Divino Espírito Santo, que ocorre no município sempre após a Páscoa, é considerada patrimônio imaterial do Brasil pelo Iphan desde 2010.
Criada entre o final do século 17 e início do 18, Pirenópolis foi um importante centro urbano no passado, primeiro durante o ciclo do ouro, em função da atividade de garimpo, e depois por causa da agricultura. Também foi berço da música goiana e da imprensa de Goiás, com a criação do primeiro jornal do Centro Oeste, chamado Matutina Meiapontense. Hoje o município vive do turismo, o que foi possível após a criação de Brasília, que fica a 150 quilômetros dali e é ponto de partida de muitos visitantes.
Os atrativos da cidade são culturais e naturais, segundo o secretário municipal de Turismo, Sérgio Rady. O município promove, como encerramento da Festa do Divino Espírito Santo, as Cavalhadas. São três dias de festança e de encenação da luta entre mouros e cristãos na Península Ibérica. Neste ano, a festa acontece nos dias 19, 20 e 21 de maio e o ritual que relembra a luta será feito sempre das 13 às 17 horas pelas ruas da cidade. A festa, de acordo com Rady, ocorre em Pirenópolis há quase 200 anos.
A diversidade de atrações da cidade, porém, fazem dela um local bom para se visitar não apenas nas Cavalhadas. Para quem quer farra, há, por exemplo, o carnaval de Pirenópolis, com suas marchinhas e recepção de jovens que vêm de Goiás e do Distrito Federal. Nos feriados prolongados, a cidade costuma estar bastante cheia com os moradores destas duas regiões.
Mas também é possível viver um lazer mais tranquilo na cidade, em finais de semana normais ou durante a semana. Neste período, as lojas de artesanato, que são cerca de 50, e as cachoeiras, ao redor de 80, estão mais vazias.
As cachoeiras, aliás, estão entre o melhor do município. Vinte delas têm estrutura para receber os visitantes, algumas com mais ou outras com menos preparo. A Cachoeira do Abade fica a 14 quilômetros da cidade e a paisagem, que pode ser vista da estrada, da uma mostra do que é a Serra dos Pireneus. Depois de um receptivo, na fazenda que a abriga, há uma estradinha de pedra até as águas e o local. Lá embaixo, na cachoeira, tem até uma pequena prainha. Um banho em janeiro, quando chove muito e a água é gelada, deixa o espírito preparado para encarar o ano.
Outro “melhor” de Pirenópolis são as lojinhas espalhadas pelo centro histórico. Há desde estabelecimentos com roupas indianas, vindas do exterior, até de brincos, esculturas e objetos de decoração, de preços pequenos ou gigantes, feitos por artesãos locais. A cidade tem também comércio de joias em prata e é tradicional na área com um grande número de ourives. O charme de quase todas as lojas são as casinhas antigas nas quais estão, tipo de construção que também abriga alguns restaurantes. A comida de Pirenópolis é de todo tipo. Há locais meio improvisados, com empadão goiano e caldos, mas também bons restaurantes, com comida internacional ou colonial.
A cidade tem 150 pousadas. Algumas ficam na área principal, caso da Mandala, uma das maiores, outras na rodovia, como a Vila das Pedras, e outras ainda na zona rural. A Pousada Tajupá, perto do centro histórico, mas não no seu cerne, é uma boa opção. O local onde ela fica é tranquilo e próximo de tudo. De manhã da para ouvir galos cantando e pela noite as vacas mugindo. E apesar do clima rural das redondezas, a pousada é charmosa, e os empreendedores pensaram em cada detalhe, desde o sabonete de ervas e frutas no banheiro, até a oferta do café da tarde para os hóspedes.
Serviço:
Pirenópolis
Informações ao turista: +55 (62) 3331-2633
Email: turismo@pirenopolis.go.gov.br
Site: www.pirenopolis.go.gov.br e http://cidadeshistoricasgoias.com.br/pirenopolis/

