São Paulo – A maioria deles chega de países de culturas bem diferentes da brasileira, onde as relações entre homens e mulheres seguem outras regras e costumes. Por isso, para entender melhor como o Brasil vive as questões de gênero, uma organização que trabalha com o tema vai oferecer uma roda de conversa a homens refugiados nos próximos três sábados, dias 5, 12 e 19 de dezembro, na sede do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, no bairro de Pinheiros, na capital paulista. Os encontros ainda têm inscrições abertas (veja contatos abaixo).
Organizado pelo Coletivo, em parceria com a Caritas São Paulo e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), o encontro propõe uma reflexão grupal sobre como é ser homem refugiado em São Paulo. O Coletivo é uma organização não governamental que atua na área de direitos femininos, sexualidade e saúde e desde 2009 mantém o Grupo Reflexivo de Homens, que trabalha com homens autuados pela Lei Maria da Penha. Essa lei estabelece punição pela violência física ou psicológica contra as mulheres.
Em função dessa experiência, o Acnur pediu que fossem promovidas rodas de conversa com refugiados, de acordo com o coordenador do Grupo, Leandro Feitosa Andrade. “Noventa por cento dos refugiados têm uma base cultural diferente da brasileira”, afirma Andrade. A iniciativa já foi promovida em novembro do ano passado e no Carnaval deste ano, neste último caso com o foco voltado para a data festiva. “A experiência com eles foi muito boa”, diz.
São formados grupos pequenos, de no máximo 15 homens, para que todos possam conversar sobre suas vivências. Os refugiados contam como é a relação entre homens e mulheres nos seus países e conversam sobre o que encontram no Brasil. Andrade conta que uma das dificuldades para eles é aceitar a liberdade das mulheres, o papel da mulher igual ao deles no Brasil. Alguns não aceitam trabalhos onde a chefe é uma mulher, relata o coordenador. Em muitos países a posição feminina, de obediência ao homem, é explicada pela própria religião.
Dos que participaram das rodas no ano passado, a maior parte é solteiro. Alguns casados vieram sozinhos antes para depois trazer a família, conforme a adaptação. Os participantes acabam expondo também outras questões, como do trabalho, da dificuldade de cumprir o que consideram seu papel de homem que ganha dinheiro, na condição de refugiado. Andrade conta que os refugiados que chegam ao Brasil têm boa qualificação profissional. São arquitetos, advogados, jornalistas e têm que aceitar trabalhos operacionais.
A roda de conversa é dividida em quatro módulos. No primeiro, chamado “Coisas de lá, coisas daqui” eles são convidados a contar o que trazem da sua cultura na relação de homens e mulheres e sobre o que se deparam no Brasil, como veem e entendem a cultura brasileira. No segundo, o tema é o que é ser homem refugiado e no terceiro, chamado “Eu gosto é de mulher”, a conversa gira em torno das referências que eles têm em relação às mulheres, o que encontram no Brasil e como será de agora em diante. O quarto encontro aborda direitos de mulheres e homens no Brasil, história das conquistas femininas, e outros temas nessa linha.
Como na roda que começa este mês serão apenas três encontros, o segundo e o terceiro tema serão abordados em um dos sábados. Andrade afirma que quando a iniciativa foi promovida no ano passado, os refugiados ficaram satisfeitos de terem participado. Quem conduz os encontros são três psicólogos: além de Andrade, Tales Furtado e Paula Prates, e uma antropóloga, Isabela Venturoza. Também há uma intérprete para inglês e francês em caso de dificuldade, já que as conversas ocorrem em português. Os participantes recebem auxílio transporte e lanches.
Serviço:
Roda de conversa com homens refugiados
Dias: 5, 12 e 19 de dezembro – sábados
Horário: das 14h às 17h
Local: Rua Bartolomeu Zunega, 44 – Pinheiros (próximo ao Metrô Faria Lima).
Inscrições e informações:
[email protected]
(11) 3812-8681
(11) 99287-7272


