Cairo – Coxinhas, pastéis e rissoles, churrasco, farofa e vinagrete, batucada e capoeira. Os convidados e consumidores egípcios viveram algumas experiências gastronômicas e culturais tipicamente brasileiras na noite desta terça-feira (06) durante a abertura do Brazilian Festival, evento de promoção de produtos do Brasil realizado no Hyper One, hipermercado localizado na região metropolitana do Cairo. Tudo oferecido por brasileiros que vivem no Egito.
Os salgadinhos foram feitos por Amélia de Lima Naguib, uma senhora radicada há 34 anos na capital egípcia e proprietária da Amelia’s Kitchen, empresa que produz comidinhas brasileiras sob encomenda e congeladas para venda em supermercados. Ela casou com um egípcio e se mudou para o Cairo, e quando os dois filhos cresceram, decidiu abrir o negócio.
“Quando meus filhos entraram na faculdade fiquei um pouco sem ter o que fazer, então comecei a fazer panetones, que não existiam por aqui, depois eu registrei a firma”, contou Dona Amélia. Segundo ela, os principais clientes são brasileiros que moram no Egito e embaixadas.
Os pratos principais – churrasco de carne bovina e de frango, com farofa e vinagrete – foram preparados sob a supervisão do chef Eduardo Bronte, que trabalha no hotel Fairmont Heliopolis, também na região metropolitana do Cairo. Ele forneceu ainda as sobremesas. Bronte está no Egito desde janeiro deste ano, antes trabalhava em Doha, no Catar.
A capoeira e a batucada que acompanha o tradicional misto baiano de dança e luta ficou por conta do professor André Esposito, que apesar de morar em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, supervisiona uma academia no Egito. Na apresentação desta terça-feira, os participantes eram todos alunos egípcios. Esposito representa a escola Coquinho Baiano, de Campinas, no interior de São Paulo. “Logo vamos fazer o primeiro batizado no Egito”, disse, referindo-se à cerimônia de graduação equivalente à mudança de faixa nas artes marciais orientais.
O Brazilian Festival é uma iniciativa da Câmara de Comércio Árabe Brasileira com apoio da embaixada do Brasil no Cairo.
Não podia faltar a paixão nacional
E no público, uma figura ilustre: Rildo Menezes, ex-jogador do Botafogo, do Santos e da Seleção Brasileira nos anos 1960. No clube paulista, atuou ao lado de Pelé. Como o Rei, foi jogar no New York Cosmos na década seguinte. No Estados Unidos encerrou a carreira de jogador e iniciou a de técnico. Rildo mora há dois anos no Cairo, ao lado da mulher Teresa, e é responsável pelas academias do Zamalek, um dos mais tradicionais times do Egito, onde treinam crianças e jovens de cinco a 23 anos.
Segundo ele, os jogadores das categorias de base no Egito não têm a “malícia” e o drible dos brasileiros, são mais adeptos do toque de bola. “Eu tento colocar na cabeça deles que futebol é improviso, que é necessário o desenvolvimento de habilidades técnicas para ser diferente”, disse. “O toque de bola é importante, mas também aquele jogador que desequilibra, dribla dois ou três e faz o gol”, acrescentou. Mas Rildo vê avanços e diz que recentemente três de seus pupilos foram jogar no time titular.
No início ele estranhou a vida no Cairo, especialmente o trânsito caótico da cidade, mas destaca a hospitalidade dos egípcios e a segurança do lugar, onde é possível andar tarde da noite na rua sem medo de ser assaltado.


