Belo Horizonte – O estado de Minas Gerais quer mais do que comércio e investimentos com o Egito. Os mineiros também têm interesse em promover a cultura do estado na terra dos faraós. A idéia foi discutida ontem (14) entre o vice-governador do estado, Antonio Anastásia, e o ministro egípcio do Comércio e da Indústria, Rachid Mohamed Rachid, em Belo Horizonte. “Podemos fazer um intercâmbio”, sugeriu Anastásia.
O ministro também deu a idéia de realizar uma semana do Egito em Minas Gerais, podendo trazer peças históricas de museus egípcios para o estado. “Podemos mandar uma delegação para trabalhar essa área cultural”, disse Rachid. O mesmo deverá ser feito no Egito a respeito de Minas Gerais. O objetivo é promover a cultura.
Já em setembro, Belo Horizonte vai trazer a ópera Aída, escrita em 1871, pelo italiano Giuseppe Verdi, a pedido do vice-rei egípcio Ismail Pashá, para comemorar a inauguração do Canal de Suez. A ópera conta a história do comandante egípcio Radamés, que comandou a guerra contra a Etiópia e voltou como herói. Assim, o faraó oferece a mão de sua filha, Amneris, em casamento. Porém, Radamés se apaixona por Aída, serviçal de Amneris.
Segundo Anastásia, os dois países têm muito que fazer para aproximar mais as relações entre o estado mineiro e o país árabe. “Eu, particularmente, adoro a história egípcia e acredito que podemos trabalhar fortemente para nos aproximar”, afirmou Anastásia.
De acordo com o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, que também estava no encontro, poderia ser realizado ainda um seminário para empresas mineiras sobre o mercado egípcio. “Seria interessante organizar também um encontro de negócios entre empresas egípcias e mineiras”, disse.
Outro tema discutido no encontro foi o de parcerias e investimentos, principalmente nos setores agrícolas, de infra-estrutura, automotivo e biocombustíveis. “Temos interesse em firmar acordos de cooperação com Minas Gerais para troca de tecnologia, know-how e criação de joint-ventures”, disse Rachid.
Durante o encontro, o secretário de Estado, Raphael Guimarães Andrade, e subsecretário, Luiz Antônio Athayde, falaram da balança comercial do estado com o país árabe, que no primeiro semestre somou US$ 30 milhões, sendo US$ 28,26 milhões em exportações mineiras e US$ 2,27 milhões em importações. Os principais produtos embarcados ao país árabe foram açúcar, ferro, óxido de zinco, óleo de soja e veículos automotivos. Já do Egito, o estado importou fosfato, tapetes, algodão e mármores.
O estado de Minas Gerais tem 520 mil quilômetros de extensão e uma população de 20 milhões de habitantes. É o terceiro maior produtor de álcool e açúcar, com uma produção de 43 milhões de toneladas e com meta de chegar a produzir 100 milhões de toneladas até 2016. O estado mineiro detém 9% do Produto Interno Bruto (PIB) e prevê uma carteira de investimentos de US$ 162 bilhões.

