São Paulo – A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) informou nesta quinta-feira (22) que no ano passado o valor do comércio internacional de bens e serviços caiu mesmo havendo crescimento da economia mundial. Foi a primeira vez que isso ocorreu desde 2001, segundo o relatório Principais Indicadores e Tendências do Comércio Internacional 2016. O volume de comércio, no entanto, avançou 1,5%.
“Em outras palavras, enquanto muitos exportadores tiveram que lidar com preços mais baixos, eles não viram declínio nos volumes exportados”, diz o levantamento. Para a agência da ONU, há motivos para preocupação.
Mesmo que o volume do comércio tenha crescido, esta expansão foi menor do que a registrada na economia mundial, coisa que raramente ocorreu nas últimas décadas. Além disso, houve volatilidade significativa nos volumes de um trimestre para o outro e entre diferentes países, ou seja, houve um avanço global, mas ocorreram quedas em determinadas nações.
“É discutível se o crescimento físico do comércio internacional pode continuar num ambiente econômico deflacionário”, diz o relatório. “A preocupação é que muitos exportadores não consigam manter sua posição nos mercados por muito tempo em face de resultados financeiros reduzidos”, acrescenta.
Segundo a Unctad, a queda das receitas do comércio internacional foi influenciada pela redução dos preços das commodities e pela valorização do dólar frente a outras moedas. Há também uma mudança na dinâmica da globalização, de acordo com a organização, com redução da interdependência entre países e encurtamento das cadeias de valor.
A agência da ONU avalia que muitas nações estão repatriando e consolidando internamente processos industriais, o que explica o descolamento entre o avanço da economia global e o desempenho do comércio internacional.

