São Paulo – O fluxo mundial de investimentos estrangeiros diretos (IED) pode cair de 10% a 15% este ano em comparação com 2015, de acordo com o boletim Monitor de Tendências Globais de Investimentos, divulgado nesta quinta-feira (06) pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e os Investimentos (Unctad). O valor deverá ficar entre US$ 1,5 trilhão e US$ 1,59 trilhão, bem abaixo do recorde de US$ 2 trilhões registrado em 2007, antes da crise financeira internacional.
Segundo a Unctad, a projeção reflete a fragilidade da economia mundial, com baixa persistente na demanda internacional, crescimento fraco em países exportadores de commodities, redução dos lucros de empresas multinacionais, entre outros fatores. A agência da ONU acrescenta que riscos geopolíticos e tensões regionais podem piorar ainda mais este quadro.
A organização espera redução da entrada de IED tanto em países desenvolvidos quanto em nações em desenvolvimento, mas com variações entre blocos em regiões. No caso da África, por exemplo, há possibilidade de crescimento de 6% este ano, para um valor entre US$ 55 bilhões e US$ 60 bilhões.
Os países que mais devem crescer em termos de atração de investimentos no continente devem ser os do Norte da África, Marrocos e Egito em especial. A indústria automobilística tem importância significativa no aumento do fluxo de recursos, com projetos no Marrocos anunciados pela PSA Peugeot-Citröen, Renault e Ford, e no Egito, pela Nissan. Este interesse decorre de políticas industriais adotadas por países africanos.
A liberalização dos investimentos e a privatização da exploração de commodities deverão também auxiliar o aumento do fluxo. A Unctad cita o exemplo da Argélia, cuja estatal Sonatrach pretende vender sua participação em 20 campos de petróleo e gás no país.
Na América Latina, porém, a expectativa é de uma redução de cerca de 10% do fluxo de IED em 2016, para algo entre US$ 140 bilhões e US$ 160 bilhões, em função do quadro recessivo na região. No Brasil, o fraco desempenho econômico, porém, fez aumentar a compra de empresas brasileiras por estrangeiras, em face de dificuldades destas companhias ou do baixo preço dos ativos. As vendas líquidas de empresas brasileiras para estrangeiras no primeiro trimestre de 2016 cresceram 80%.
Entre os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) é esperado, pelo contrário, um aumento de 10% do fluxo para um valor de US$ 270 bilhões a US$ 290 bilhões. O crescimento, no entanto, é impulsionado por China, Índia e Rússia. Para o Brasil e a África do Sul é previsto declínio.
Mas mesmo assim, o Brasil segue como um dos destinos preferidos para os IED. O País está na sétima posição entre os mais atrativos numa pesquisa feira pela Unctad com executivos de multinacionais. Anteriormente, porém, estava na quarta colocação. Antes do Brasil estão os Estados Unidos, China, Índia, Reino Unido, Alemanha e Japão.
A Unctad avalia que haverá recuperação do fluxo de IED a partir do próximo ano e o volume global deverá ultrapassar os US$ 1,8 bilhão em 2018, ainda abaixo dos valores registrados antes da crise.
Na pesquisa feita com as multinacionais, apenas 40% dos executivos disseram que esperam aumento dos investimentos de 2016 a 2018.
A Unctad fez um levantamento também com agências estatais de promoção de investidos para saber quais deverão ser os principais países de origem dos investimentos de 2016 a 2018. O Brasil não está entre os quinze primeiros colocados, mas os Emirados Árabes Unidos aparecem na 14ª posição.


