Da redação
São Paulo – A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) fez, na semana passada, uma série de recomendações para que o Marrocos consiga atrair ainda mais investimentos estrangeiros diretos (IED). O país já é o principal destino de IED na região do Magreb – que inclui também Tunísia, Argélia, Mauritânia e Líbia – e o quarto no continente africano.
Segundo a Unctad, o país recebeu US$ 2,9 bilhões em investimentos em 2005 e, segundo estimativas preliminares da organização, US$ 2,3 bilhões em 2006. De acordo com a instituição, o país tem atraído fluxos importantes de investimentos graças a reformas estruturais implementadas desde os anos 1990.
A Unctad informa que os investidores estrangeiros se interessam pelo Marrocos pela sua localização estratégica, por uma certa estabilidade econômica, disponibilidade de mão-de-obra qualificada, além de uma boa integração à economia mundial. A organização ressalta ainda que a adoção de uma lei sobre investimentos e de um programa de privatização, colocado em prática desde 1989, tiveram um impacto positivo sobre o ambiente geral de negócios no país.
A análise da política de investimentos marroquina foi feita pela Unctad a pedido do governo do país. Na semana passada, o primeiro-ministro, Driss Jettou, esteve em Genebra para participar da conferência anual da Associação Mundial das Agências de Promoção de Investimentos (Waipa, na sigla em inglês) e da 11ª sessão da comissão de investimentos, tecnologia e questões financeiras conexas da Unctad.
O organismo da ONU recomendou que, para explorar ainda mais seu potencial de atração de investimentos, o Marrocos deve implementar basicamente três medidas. A primeira delas é a modernização do marco regulatório com a elaboração de um Código de Investimentos, que reúna a legislação relativa ao tema com o objetivo de dar mais clareza e simplificar os procedimentos de investimento.
Em segundo lugar, a Unctad recomenda a criação de uma agência de promoção dos investimentos para fazer com que os recursos estrangeiros sejam canalizados para os setores definidos como prioritários pelo governo marroquino, além de “perenizar” estes investimentos para que eles tenham impacto positivo no crescimento da economia e na criação de empregos.
Por fim, a Unctad recomenda o fortalecimento do sistema nacional de inovação para atrair investimentos tecnológicos de maior valor agregado. Neste sentido, a instituição sugere a criação, dentro da agência de investimentos, de uma unidade dedicada exclusivamente à inovação, a formação pelo governo e pelas empresas transnacionais de centros de formação conjuntos e a concessão de maiores incentivos fiscais às empresas que investirem em pesquisa e desenvolvimento.
Comprometido com a competitividade
De acordo com a agência de notícias marroquina Maghreb Arabe Presse (MAP), Jettou disse, durante a reunião na Unctad, que seu país está consciente dos desafios da globalização e comprometido com uma estratégia destinada a reforçar a posição competitiva de sua economia, especialmente em alguns setores considerados essenciais para o crescimento.
Ele acrescentou, segundo a MAP, que o Marrocos está comprometido também com um processo de liberalização que “intensifica a competitividade e melhora a governança econômica”. Jettou destacou que a abertura de uma série de setores contribuiu para o desenvolvimento de oportunidades de negócios “sem precedentes” no país.
O primeiro-ministro acrescentou, de acordo com a MAP, que o país está realizando também um programa de modernização de sua infra-estrutura, incluindo rodovias, ferrovias e aeroportos. Ele disse ainda que o produto interno bruto (PIB) do Marrocos cresceu em média 5,3% ao ano entre 2002 e 2006.

