Alexandre Rocha
São Paulo – A realização da 11° Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), em São Paulo, entre os dias 13 e 18, vai ajudar a consolidar a cidade como "o centro de debates políticos e econômicos do hemisfério sul", segundo disse nesta quarta-feira (02) o governador paulista, Geraldo Alckmin, após reunir-se com o secretário-geral da Unctad, embaixador Rubens Ricupero, no Palácio dos Bandeirantes.
Além disso, Alckmin ressaltou que o encontro será muito importante para consolidar a posição de São Paulo como a "capital do turismo de negócios" na América Latina, uma vez que milhares de autoridades, empresários e representantes da sociedade civil de 192 países vão participar da conferência.
"Um evento de caráter mundial como este será muito importante para uma cidade que, cada vez mais, vive do setor de serviços", disse o governador, que espera uma grande movimentação de pessoas nos hotéis, restaurantes, prédios públicos, espaços de lazer e de turismo da cidade.
Isso sem falar no objetivo principal do evento que, nas palavras do governador, será a busca por maior eficiência e competitividade por parte dos países em desenvolvimento dentro de um "mundo globalizado".
Competitividade
Ricupero, por sua vez, ressaltou que os problemas da oferta de produtos e da competitividade destes países serão dois dos focos principais da Unctad. "Não adianta nada abrir oportunidades por meio das negociações comerciais se o país não tem produtos com preço, qualidade e quantidade suficientes para oferecer", disse o embaixador.
Como exemplo, ele afirmou que o Brasil já tem problemas para atender a demanda por mercadorias como papel, minério de ferro e aço por falta de investimentos na produção nos últimos anos. Em sua avaliação, os países em desenvolvimento precisam diversificar e agregar valor às suas pautas de exportação.
De acordo com Ricupero, vários debates vão girar em torno de setores "dinâmicos" da economia, como o de produtos eletrônicos. "Embora países como o Brasil exportem muito, a pauta é dominada por commodities, que são produtos cuja demanda não cresce muito", afirmou. Em sua avaliação, é preciso multiplicar exemplos como o da Embraer, empresa brasileira que fabrica aviões de última geração.
Nesse sentido, uma das discussões da Unctad vai girar em torno das "indústrias criativas", que, além da chamada "indústria cultural", envolve setores como o de software. De acordo com o embaixador, esse é um mercado que movimenta mais de US$ 1,3 trilhão no mundo e durante a conferência serão mostradas as oportunidades de investimentos na área.
Antes mesmo da abertura da Unctad, o órgão da ONU vai promover no dia 9 na OCA, no parque do Ibirapuera, juntamente com a BrasilConnects, do banqueiro Edemar Cid Ferreira, um evento sobre as "empresas culturais". Paralelamente à conferência será realizada também uma feira de tecnologia.
Segurança
Para um evento deste tamanho, é sempre grande a preocupação com a segurança. Alckmin garantiu que todas a precauções já foram tomadas. O esquema será gerenciado pelo Exército, mas o policiamento será feito pelas polícias Militar, Civil e Federal.
Já na área da saúde, o atendimento no local será feito pela prefeitura de São Paulo e nos hospitais pelo governo do estado.
Após a abertura de evento, Alckmin vai oferecer um almoço para os chefes de estado presentes. Até ontem já havia confirmação da participação dos presidentes do Uruguai, Paraguai, da Venezuela, do presidente eleito da República Dominicana, do primeiro ministro da Tailândia, do secretário-geral da ONU Kofi Annan, de Ricupero e do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Supachai Panitchpakdi.
Ricupero ressaltou, porém, que a Unctad não é uma reunião de cúpula, mas de ministros, embora tenha a participação de chefes de estado. O embaixador, que é secretário-geral da Unctad desde 1995, vai ficar no cargo até setembro, quando será substituído por um diplomata da Ásia, ainda a ser anunciado por Kofi Annan.

