Alexandre Rocha
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São Paulo – Antes do encontro de ministros da área econômica dos países árabes e sul-americanos, que vai ocorrer nos dias 22 e 23 em Rabat, no Marrocos, haverá amanhã (21), na capital marroquina, uma reunião de especialistas e homens de negócios que vão discutir idéias para ampliar o relacionamento entre as duas regiões. Um dos palestrantes será o ex-presidente e atual vice-presidente administrativo da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Paulo Sérgio Atallah.
Ele vai falar sobre a visão que o setor privado tem do assunto. "Pretendo dar uma visão mais empresarial, mais prática do que é possível surgir em termos de relacionamento entre árabes e sul-americanos", disse Atallah. "Do mesmo jeito que os países árabes têm o desafio de atuar conjuntamente, as nações sul-americanas também têm", acrescentou.
Neste sentido, ele fará algumas propostas de atuação comum do bloco sul-americano. "Na área de promoção comercial, existem alguns setores em que estes países competem, mas em muitas outras áreas as economias são complementares. Então não há porque não haver, entre as agências de promoção de exportações destas nações, ações conjuntas na organização de missões comerciais ao mundo árabe e outras atividades do gênero", ressaltou.
O mesmo pode ser feito, em sua avaliação, na área de turismo. "Quando alguém viaja à Europa, por exemplo, busca passar por três ou quatro destinos, dependendo do tempo disponível e do quanto quer gastar. Quando alguém vem à América do Sul, pode não querer necessariamente ficar só no Brasil, mas buscar outros destinos. Então deveria haver uma articulação para facilitar este trânsito e não um país excluir o outro", declarou.
O tema da palestra de Atallah será "Porque vale a pena investir nas relações entre países árabes e sul-americanos". Para mostrar que este investimento dá resultados, ele vai citar o caso específico do Brasil, que tem colocado o mundo árabe entre suas prioridades de política externa e comercial.
Só para se ter uma idéia, as exportações brasileiras para a região saíram de US$ 2,76 bilhões em 2003, primeiro ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para US$ 6,68 bilhões em 2006, um aumento de 142%, maior do que a média brasileira. No mesmo período, as exportações totais do Brasil cresceram 127,7%.
Outros exemplos que ele vai citar são a inauguração do vôo direto da Emirates Airline entre São Paulo e Dubai, em outubro, a parceria para troca de material jornalístico entre a TV Al Jazeera, do Catar, e a brasileira Rede Bandeirantes, e as diversas ações realizadas pela Câmara Árabe nos últimos anos, entre elas a criação da ANBA, que teve pouco mais de 2 mil acessos em outubro de 2003, logo que foi inaugurada, e agora registra mais de 200 mil acessos mensais.
"Eu vou procurar mostrar que quando se procura investir nessa relação, o retorno é de grande sucesso", afirmou Atallah. Para ele, assim como os governos, as empresas privadas têm que se articular para explorar o potencial existente. Como exemplo, ele citou o vôo da Emirates. Agências de turismo e empresas aéreas sul-americanas podem se organizar para oferecer aos passageiros da companhia árabe outros destinos na região, além do Brasil.
Diretrizes e ações
A agenda de eventos bi-regionais em Rabat começa hoje (21) com um encontro de altos funcionários dos governos dos dois blocos. A delegação brasileira vai contar também com representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), dos ministérios do Turismo, das Minas e Energia e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e do Itamaraty.
Na reunião ministerial, o Brasil será representado pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Será o segundo encontro voltado para a área econômica. O primeiro ocorreu em Quito, no Equador, no ano passado. Todas estas atividades dão continuidade à Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa), realizada em Brasília em maio de 2005.
"Os ministros vão discutir e aprovar um plano de ação produzido no Cairo em janeiro", disse o coordenador de seguimento da Aspa no Itamaraty, Ânuar Nahes, que também fará parte da delegação brasileira. Em janeiro deste ano, representantes dos governos das duas regiões se reuniram no Egito para formular o plano de ação conjunta na área econômica.
"São diretrizes e ações que, se implementadas, vão ampliar o comércio e os investimentos recíprocos", acrescentou Nahes. Segundo o diplomata, Miguel Jorge deverá manter também encontros bilaterais com ministros árabes.
A reunião ministerial vai ocorrer poucos dias antes da missão comercial ao Norte da África organizada pela Câmara Árabe e pela Agência de Promoção das Exportações e Investimentos do Brasil (Apex), que começa em 28 de maio no Marrocos. A missão vai passar também por Tunísia e Egito.
Pouco tempo depois, nos dias 05 e 06 de junho, o presidente Lula fará sua primeira visita oficial ao Marrocos, para retribuir a viagem que o rei marroquino, Mohammed VI, fez ao Brasil em 2004.

