Brasília – O Catar pretende investir US$ 60 bilhões em infraestrutura e quer atrair empresas brasileiras para projetos no setor. O tema foi discutido hoje (20) por representantes dos governos e companhias dos dois países durante a visita do emir do país árabe, Hamad Bin Khalifa Al Thani, a Brasília.
Os investimentos serão destinados a áreas como ferrovias, rodovias, saneamento, gás, refino, petroquímica e siderurgia. “Temos muitas oportunidades para empresas brasileiras investirem no Catar em vários setores”, disse o emir durante almoço oferecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Itamaraty.
A estatal Qatar Holding assinou memorandos de entendimentos com a mineradora Vale, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, com vistas a prospectar investimentos conjuntos no Brasil e no exterior.
O interesse dos catarianos, porém, vai além dessas empresas. O governo do país árabe quer, por exemplo, atrair companhias que atuam na área de engenharia e construção. Estavam presentes no almoço representantes de grandes empreiteiras como Odebrecht e Andrade Gutierrez, que já têm negócios importantes no mundo árabe, além de banqueiros do porte de Pedro Moreira Salles, presidente do Conselho de Administração do Itaú-Unibanco.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que participou de encontro com os catarianos, afirmou que o banco pode financiar a exportação de serviços de empresas brasileiras, além da venda de materiais, máquinas e equipamentos. Ele disse que o BNDES foi convidado a enviar uma missão ao país árabe com o objetivo de conhecer os projetos existentes.
No almoço, Lula disse que pretende visitar o Catar ainda no primeiro semestre, assim como o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Lula já esteve lá no ano passado para participar da 2ª Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa). Em seu discurso, o presidente ressaltou que o Catar está aberto para a participação de empresas estrangeiras “em ambiciosos projetos de infraestrutura onde nossas empresas são competitivas”.
Diálogo
Lula ressaltou que, além das relações econômicas, Brasil e Catar têm interesses comuns em temas internacionais, como auxílio humanitário, diálogo entre culturas e a busca da paz no Oriente Médio. O presidente destacou o papel do emir na viabilização do diálogo entre partes opostas em conflitos na região.
Al Thani, por sua vez, elogiou a procura do Brasil por um papel mais ativo no processo de paz entre Israel e Palestina e afirmou o apoio do Catar nas iniciativas humanitárias brasileiras.
Haiti
Mais tarde, o chanceler Celso Amorim disse que o emir está disposto a cooperar nos esforços de reconstrução do Haiti, país caribenho devastado por um terremoto na semana passada, e que quer fazê-lo por intermédio do Brasil.
Hoje o Haiti voltou a ser sacudido por tremores e o presidente Lula falou sobre o tema com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki Moon, num telefonema à tarde.
Segundo Amorim, o Brasil tem condições de enviar mais 750 soldados e 150 policiais para reforçar a missão de paz da ONU que atua no país desde 2004, liderada pelo próprio Brasil. Atualmente, as Forças Armadas brasileiras têm mais de 1,2 mil homens no Haiti. Esta semana, Ban fez um apelo para o aumento das tropas de paz para garantir a segurança após o terremoto.
O chanceler declarou ainda que o Brasil pode ampliar a doação de recursos ao país caribenho para além dos US$ 15 milhões já anunciados.

