São Paulo – A mineradora brasileira Vale obteve receita operacional de R$ 598 milhões com vendas ao Oriente Médio no terceiro trimestre deste ano, de acordo com os resultados financeiros do período divulgado pela companhia esta semana. O valor representa 2,1% do total que a empresa obteve de julho a setembro, R$ 28,6 bilhões, um recorde histórico. A receita com Oriente Médio recuou 8,7% sobre o mesmo período de 2010, mas avançou 9,7% em relação ao segundo trimestre deste ano.
A companhia divulgou o volume de vendas de minério e pelotas de ferro para a região. De acordo com a Vale, foram vendidas 1,5 milhão de toneladas no Oriente Médio, o que representou 1,8% do total das vendas dos dois produtos. A Vale comercializou na região um volume igual no terceiro trimestre de 2010 e no segundo deste ano. De julho a setembro de 2010, porém, o volume representou 1,9% do total, e de abril a junho deste ano, 2%.
No geral, a empresa comercializou 79 milhões de toneladas de minério de ferro e pelotas no terceiro trimestre de 2011. Apesar do volume alto, com aumento de 7,5% sobre o segundo trimestre deste ano, as vendas ficaram abaixo da produção, que atingiu 85 milhões de toneladas no período. Segundo a companhia, isso se deu, entre outros fatores, pela necessidade de reconstituir estoques para eficiência na distribuição, diminuição da demanda por minério de ferro no Brasil e início das operações do centro de distribuição de Omã.
A Vale colocou em operação, neste ano, a sua planta de pelotização no complexo portuário de Sohar, em Omã. De acordo com a empresa, uma das duas usinas do país árabe atingiu sua plena capacidade, de 4,5 milhões de toneladas ao ano, no último trimestre. A segunda, informa a companhia brasileira, começará seu processo de expansão neste trimestre. No anúncio do empreendimento, a Vale disse que produziria, no local, um total de nove milhões de toneladas de pelotas ao ano.
Em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (27), na qual comentaram os números do terceiro trimestre, os executivos da empresa não abordaram o desempenho no Oriente Médio. Mas o diretor presidente da companhia, Murilo Ferreira, ressaltou os recordes atingidos pela Vale em produção de minério de ferro e cobre e em Ebitda. Ele disse também que a empresa está revisando alguns dos seus projetos para rever custos e prazos. Práticas para obtenção de licenças ambientais também estão sendo revistas para conseguir mais agilidade.
Apesar da queda de preços do minério, a Vale se comprometeu a não realizar corte de produção. “Não vamos realizar corte de produção porque a Vale é uma das empresas com menor custo de produção”, disse Ferreira, dando sinais de que mesmo com os preços menores da commodity, a produção ainda será economicamente viável. A empresa redirecionou dois dos seus navios que atenderiam Europa para a Ásia, mas, segundo o diretor executivo de Marketing, Vendas e Estratégia, José Carlos Martins, o movimento nem se compara ao de 2008, quando todos os pedidos de um cliente na Europa – a Arcelor – foram cancelados.
A receita operacional de R$ 28,6 bilhões significou aumento de 6,2% sobre o último recorde, que foi de R$ 27 bilhões no quarto trimestre do ano passado. O lucro operacional da Vale alcançou R$ 14,4 bilhões, o lucro líquido R$ 7,8 bilhões e a geração de caixa (Ebitda), que foi recorde, ficou em R$ 16,1 bilhão, 1,2% acima do recorde anterior, do terceiro trimestre do ano passado. As vendas de “bulk materials” – minério de ferro, pelotas, manganês, ferro ligas, carvão metalúrgico e térmico – atingiram R$ 21,6 bilhões, maior 7% do que o recorde do terceiro trimestre de 2010. Os investimentos da Vale totalizaram R$ 4,5 bilhões no trimestre.

