Alexandre Rocha
São Paulo – As indústrias do Vale da Eletrônica, como é chamado pólo eletroeletrônico de Santa Rita do Sapucaí, em Minas Gerais, estão em busca de parcerias de longo prazo com empresários árabes. Para falar sobre este assunto, estiveram ontem (20) na sede Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, o vice-prefeito do município, Mozart Zaghi, o gerente da Associação das Empresas Exportadoras do Vale da Eletrônica (Avalex), Wellington Vasconcelos Fontes, e Heron Antloga, da Alcântara & Antloga, que presta consultoria para companhias da região.
"Queremos atrair os árabes para negócios de longo prazo e de mão dupla", disse Fontes à ANBA. A idéia, segundo ele, é capitalizar projetos desenvolvidos na região e, em troca, transferir a tecnologia. "O investidor aplica seu dinheiro, cresce junto com a empresa e leva o conhecimento para o mundo árabe", acrescentou.
Como exemplo ele citou uma "pulseira de controle" batizada de RF-ID, desenvolvida na região, que serve para trocar diversos tipos de informação via rádio com uma central. Numa maternidade, por exemplo, a pulseira colocada em uma criança pode armazenar dados como os nomes dos pais, trocar informações como a temperatura do bebê e fazer soar um alarme caso seja retirada da área de alcance do sistema. "Nós temos tecnologia e produtos excelentes, mas muitas vezes falta o capital", afirmou Fontes.
A região concentra mais de 115 empresas do setor, que produzem mercadorias como carregadores e baterias para telefones celulares, centrais de PABX, equipamentos para radiodifusão, alarmes de todos os tipos, sensores, entre outros. A Avalex, por exemplo, reúne empresas que fabricam produtos para telecomunicações, radiodifusão, rádio comunicação e placas de circuitos impressos. "Temos também equipamentos para biomedicina e audiometria muito eficientes", declarou Fontes.
"As empresas da cidade estão interessadas em abrir o seu capital para investimentos de longo prazo", disse Antloga, acrescentando que, por se tratar de empresas de pequeno porte, os investimentos necessários também não são grandes.
"Não queremos apenas ganhar dinheiro em um negócio e ir embora", afirmou Fontes. Algumas empresas da cidade já são fruto de associação entre brasileiros e estrangeiros, como a Phihong e a Teclar, que têm, respectivamente, capital chinês e canadense.
O secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, que recebeu Zaghi, Fontes e Antloga, falou sobre as atividades da entidade, como a participação em feiras e missões comerciais, e ressaltou a importância do contato direto para a realização de negócios. "Os árabes dão muito valor ao contato pessoal", afirmou. Ele sugeriu a participação de representantes do pólo em eventos promovidos pela Câmara, no Brasil ou no exterior.
Estágios
Além das possibilidades de negócios, o pólo começa a oferecer oportunidades para estrangeiros interessados em fazer estágios nas companhias do setor, por meio de uma parceria com o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel).
A região não é apenas conhecida pelos produtos que fabrica, mas também pelos cursos de capacitação profissional que oferece. Em Santa Rita já existem também duas incubadoras de empresas na área de eletrônica e mais uma deve começar a funcionar em breve.
Mozart Zaghi acrescentou que o município oferece uma série de incentivos para empresas que se instalam por lá, como a negociação dos valores cobrados de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Imposto Sobre Serviços (ISS), que pode envolver até a isenção total dependendo do caso; cessão por três anos de imóvel para o funcionamento da companhia; e, posteriormente, cessão de terreno para a construção de uma sede definitiva.
Os negócios são avaliados caso a caso e os benefícios concedidos de acordo com o que a empresa oferece de retorno à população local. "É uma via de mão dupla", afirmou Zaghi. Segundo ele, a prefeitura acaba de adquirir uma área com mais de 1 milhão de metros quadrados para ampliar o pólo eletroeletrônico. Além disso, diz o vice-prefeito, o governo do estado de Minas concede isenção total do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
A cidade
Santa Rita do Sapucaí tem 40 mil habitantes, sendo que só o setor eletroeletrônico emprega cerca de sete mil pessoas. Ao todo, de acordo com Antloga, a indústria local movimenta por volta de R$ 800 milhões por ano. Fontes acrescentou que, em 2004, as empresas da cidade exportaram o equivalente a US$ 4 milhões. Mas a idéia é fazer esse número crescer bastante. "Estamos saindo para o comércio exterior agora", afirmou.
Além da indústria eletrônica, a cidade também é forte na produção de café e leite e começa a tentar introduzir outras culturas. Zaghi disse que em breve haverá lá também uma incubadora de empresas do agronegócio.
Contatos
Avalex
Tel: +55 (35) 3471-5539
E-mail: export@avalex.com.br
Site: www.avalex.com.br
Alcântara & Antloga
Tel: +55 (35) 3471-0897
E-mail: antloga@uol.com.br
Prefeitura de Santa Rita
Tel: +55 (35) 3471-1911
E-mail: gabinete@pmsrs.com.br

