São Paulo – A mineradora brasileira Vale do Rio Doce anunciou nesta terça-feira (14) a associação com a Dubai Aluminium (Dubal), indústria de alumínio dos Emirados Árabes Unidos, no projeto da Companhia de Alumina do Pará (CAP), responsável pela construção e operação de uma refinaria de alumina em Barcarena, município próximo a Belém.
Pelo contrato de compra e venda de ações assinado entre as duas companhias, a Vale ficará com 61% do capital da CAP, a Dubal com 19%, e os 20% restantes com a norueguesa Hydro Aluminium. Quando o projeto foi anunciado, em setembro do ano passado, havia apenas participação da Vala e da Hydro, com 80% para a primeira e 20% para a última.
A Vale está ampliando seu relacionamento com os países árabes para além do simples fornecimento de minérios. Além da venda das ações da CAP para a Dubal, a empresa constrói atualmente uma fábrica de pelotização de minério de ferro e um terminal marítimo em Omã, um investimento de US$ 1,3 bilhão.
Segundo informações da Vale, a refinaria no Pará terá capacidade inicial para produzir 1,86 milhão de toneladas de alumina por ano, podendo ser ampliada até 7,4 milhões. O investimento previsto na primeira fase, conforme a companhia anunciou em setembro, é de US$ 2,2 bilhões.
A nova fábrica ficará próxima à Alunorte, outra refinaria de alumina controlada pela Vale e localizada no mesmo município. O início das operações está previsto para o final de 2012, “de acordo com as condições de mercado”, segundo a companhia. Quando o projeto foi anunciado, a previsão era que a produção começaria no primeiro semestre de 2001.
Junto com a construção da CAP, a Vale anunciou investimentos na expansão da produção de bauxita na mina Paragominas, também no Pará. A idéia é que o projeto denominado Paragominas III forneça a matéria-prima à nova usina de alumina. De acordo com a empresa, o investimento estimado é de US$ 487 milhões, o que vai ampliar a capacidade de produção da mina de 9,9 milhões de toneladas por ano para 14,85 milhões.
A alumina, ou óxido de alumínio, é um produto intermediário na cadeia do alumínio, obtida a partir do refino da bauxita. Os países do Golfo, entre eles os Emirados, têm investido pesado nessa indústria que consome altas quantidades de energia, dada a grande disponibilidade de petróleo a gás na região.
A assessoria de imprensa da Vale não forneceu mais informações sobre o negócio com a Dubal sob a alegação de que a companhia tem capital aberto, tendo que seguir as regras do mercado de capitais, e só pode divulgar o que for autorizado por sua diretoria de Relações com Investidores.
As sócias
A Dubal pertence ao emirado de Dubai e é um dos principais empreendimentos industriais dos Emirados Árabes Unidos fora do ramo petrolífero. A empresa foi fundada em 1979 e hoje atende a 280 clientes espalhados por 46 países, de acordo com informações de seu website. Ela está instalada em uma área de 480 hectares em Jebel Ali.
A companhia produz principalmente ligas de alumínio para a indústria automobilística, barras metálicas perfiladas para a construção civil e alumínio primário para os setores de eletrônicos e aeroespacial. No ano passado, a empresa produziu 945 mil toneladas de metal, um aumento de 0,4% em comparação com 2007. Seu faturamento foi de 9,1 bilhões de dirhans (quase US$ 2,5 bilhões pelo câmbio atual). O lucro em 2008 ficou em 2,2 bilhões de dirhans (US$ 600,8 milhões), um crescimento de 16%.
A Vale, por sua vez, é a segunda maior mineradora do mundo e a maior produtora e exportadora de minério de ferro. Apesar do seu principal negócio ser o minério de ferro, a empresa brasileira atua com outros materiais, como níquel, manganês, bauxita, alumina, alumínio, cobre, carvão, cobalto, metais preciosos e potássio, além de operar na área de transporte de cargas.
A companhia teve um faturamento de US$ 38,5 bilhões no ano passado, um aumento de 16,3% em comparação com 2007. O lucro líquido em 2008 foi de US$ 13,2 bilhões, recorde na história da empresa e 11,9% superior ao do ano anterior.

