São Paulo – A mineradora brasileira Vale espera equilíbrio entre oferta e procura de minério de ferro neste e no próximo ano, segundo o diretor executivo de Ferrosos e Estratégia da companhia, José Carlos Martins, que participou, nesta quinta-feira (08), da divulgação dos resultados da empresa para a imprensa. “Trabalhamos com a hipótese de equilíbrio entre oferta e procura, os dois crescendo”, afirmou ele, reforçando ainda que não deve haver uma alta na produção mundial que crie uma perda da sustentabilidade dos preços.
O minério de ferro vem enfrentando baixa de cotações desde o começo do ano, em função de uma demanda menor do que a esperada na China. “A oferta de minério vem crescendo na Austrália e na China, tem redução na Índia e estabilidade no Brasil”, afirmou Martins sobre a situação atual. A Vale produziu 138,1 milhões de toneladas de minério de ferro no primeiro semestre deste ano. O volume ficou 2,7 milhões de toneladas abaixo do previsto. No segundo trimestre, a produção ficou em 73,2 milhões de toneladas, segundo a companhia.
Martins afirmou que a produção da Vale está estável há alguns anos, mas que a empresa está se preparando para um crescimento em função de novas operações que devem entrar em funcionamento e investimentos em logística. Ele observou que as cotações do minério de ferro, apesar de apresentarem volatilidade grande nos últimos dois a três anos, sempre se mantiveram em uma determinada faixa. Atualmente o minério está cotado a US$ 135 a tonelada e o executivo acredita que há uma sustentabilidade forte do preço na faixa de US$ 130. “É possível que haja alguma redução”, disse ele, a respeito dos US$ 135.
A Vale apresentou os seus resultados do primeiro semestre do ano e comemorou o Ebitda, cujo valor ajustado foi de US$ 10,1 bilhões, bem próximo dos US$ 10,4 bilhões dos primeiros seis meses do ano passado. De acordo com o presidente da empresa, Murilo Ferreira, esse valor foi possível em função dos cortes de custos. “A empresa trabalhou forte na redução de custos, na produção, administrativo, pesquisa e desenvolvimento”, afirmou ele.
A pequena queda do Ebitda ocorreu apesar dos preços baixos do minério e a valorização do dólar, que afeta a dívida empresa na moeda. Tanto que houve recuo de 8,5% na receita operacional, de US$ 24,5 bilhões no primeiro semestre de 2012 para US$ 22,4 bilhões no mesmo período deste ano. O lucro líquido básico caiu 13,7% de US$ 7,3 bilhões para US$ 6,3 bilhões. “O resultado do semestre foi bastante robusto”, disse Ferreira, levando em conta o ambiental global desfavorável e os preços do minério e metais em declínio.
A valorização do dólar – que chegou ao final de junho cotado R$ 2,23, sendo que a média do segundo trimestre foi R$ 2,07 – acabou favorecendo a Vale e não afetou tanto a dívida. A mineradora afirmou que está avaliando o uso de um programa de “hedge accounting”, que permite usar a receita em dólar para amenizar o efeito do movimento da moeda norte-americana na sua dívida. O diretor executivo de Finanças e Relações com Investidores, Luciano Siani, lembra que a empresa tem dívida em dólar e tem também receita em dólar. A dívida em dólar da Vale é de US$ 30 bilhões, correspondente a nove meses de receita.


