Alexandre Rocha
São Paulo – A Companhia Vale do Rio Doce vai estudar a possibilidade de novos investimentos no mundo árabe. A mineradora anunciou nesta segunda-feira (20) a assinatura de um memorando de entendimento com a Sohar Industrial Port Company (SIPC), empresa que administra o Porto de Sohar em Omã, com o objetivo de avaliar a construção de uma usina de pelotização de minério de ferro no local.
De acordo com a Vale, se o projeto for adiante, a fábrica deverá ter capacidade para produzir 7,5 milhões de toneladas de pelotas por ano pelo processo de redução direta, que utiliza o gás natural como combustível, produto abundante na região. A empresa prevê o início das operações para 2010 e informa que vai fornecer 100% da matéria-prima para a usina. Ela não informou, porém, o custo estimado do empreendimento.
A companhia informou também que, com o projeto, pretende atender a demanda de "vários projetos de aço e redução direta no Oriente Médio anunciados recentemente". A empresa acrescentou que tem como estratégia apoiar a indústria siderúrgica da região, que é um grande mercado onde ela tem experiência operacional.
Se vier a se realizar, esta não será a primeira operação de investimento direto da Vale no mundo árabe. Ela já foi dona de 50% da Gulf Industrial Investment Company (GIIC), uma fábrica de pelotas de ferro no Bahrein. Sua sócia era a Gulf Investment Coporation (GIC), do Kuwait. A empresa brasileira, no entanto, vendeu sua participação no negócio em maio deste ano por US$ 418 milhões.
A Vale não informou o volume atual de suas exportações para o Oriente Médio, mas o minério de ferro é um dos principais produtos da pauta de exportações do Brasil para os países árabes e a companhia é a principal fornecedora do produto no Brasil e no mundo. Outra mineradora nacional que tem forte atuação na região é a Samarco, uma joint-venture entre a Vale e a BHP Billiton.
Capacidade exportadora é o que não falta para a Vale, ela é a segunda maior empresa brasileira neste quesito, atrás apenas da Petrobras. De janeiro a setembro deste ano, a companhia teve uma receita bruta de US$ 12,87 bilhões, sendo que US$ 4,32 bilhões vieram das vendas externas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do governo federal.
Maior produtora e exportadora de minério de ferro do mundo, a Vale comprou em outubro a canadense Inco, especializada em níquel, e passou a ser a segunda maior mineradora do mundo. Com ações negociadas nas bolsas de valores de São Paulo (Bovespa), Nova York (NYSE) e Madri (Latibex), a empresa brasileira tem valor de mercado de cerca de US$ 55 bilhões.
Porto de US$ 12 bilhões
Já a Sohar Industrial Port Company é resultado de uma joint-venture entre o governo de Omã e o Porto de Roterdã, na Holanda. O Porto de Sohar fica a 220 quilômetros a noroeste de Muscat, a capital do país árabe. Trata-se de um empreendimento recente que reúne infra-estrutura de transporte e industrial. Os investimentos estimados para o local, segundo sua administração, devem chegar a US$ 12 bilhões até 2008.
De acordo com o site da SIPC na internet, quando estiver com toda sua capacidade instalada, o porto deverá gerar 6 mil empregos diretos e 25 mil indiretos. O movimento estimado para este ano é de 325 navios, número que deverá subir para 600 em 2007 e mil em 2008.
O Sultanato de Omã fica no estremo leste da Península Arábica, bem na entrada do Golfo Arábico, por onde passa boa parte do petróleo comercializado no mundo. O país tem 2,8 milhões de habitantes e um produto interno bruto (PIB) de US$ 31 bilhões. Os principais setores de sua economia são a produção de petróleo e gás natural, a metalurgia, as indústrias têxtil e alimentícia.
Omã é um dos membros do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), bloco econômico do qual fazem parte também Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. O GCC negocia atualmente um acordo de livre comércio com o Mercosul.
As exportações do Brasil para o país árabe renderam US$ 45 milhões entre janeiro e outubro deste ano, segundo informações da Secex, um aumento de 5% em comparação com o mesmo período de 2005. As principais mercadorias embarcadas foram carne de frango, carne industrializada, chassis com motor para veículos de carga, caminhões e açúcar.
Já as importações de produtos de Omã pelo Brasil somaram US$ 578,7 milhões, um crescimento de quase 100% em comparação com o mesmo período do ano passado. As principais mercadorias comercializadas foram produtos plásticos.

