São Paulo – Um dos destinos que contribuiu para o recorde de vendas da mineradora brasileira Vale em 2011 foi o Oriente Médio. Dados do balanço da empresa, divulgado na quarta-feira (15), mostram que a Vale vendeu R$ 2,368 bilhões para a região em 2011, 9,2% a mais do que os R$ 2,168 bilhões registrados em 2010.
Embora o faturamento para o Oriente Médio tenha crescido, a participação dos países da região nas receitas totais da empresa caiu: de 2,5% em 2010 para 2,2% no ano passado. De acordo com os dados da Vale, o Oriente Médio comprou, em 2011, 6,9 milhões de toneladas de minério de ferro e pelotas. No quarto trimestre do ano passado, a empresa enviou 2,5 milhões de toneladas de minério para a região, 66,6% a mais do que o registrado no mesmo período de 2010: 1,5 milhão de toneladas.
Além de exportar produtos para a região, a Vale tem uma unidade de produção de pelotas em Omã que começou a operar em maio de 2011. Construída em parceria com a Oman Oil Company, o complexo industrial de Sohar tem duas unidades de pelotização. Cada uma é capaz de produzir 4,5 milhões de toneladas métricas por ano.
Em relação à crise financeira, a empresa afirma que houve uma desaceleração das compras pela Europa. Mesmo assim, segundo o balanço, outras regiões ajudaram a Vale a recuperar a queda de demanda europeia. "Fomos capazes de mais do que compensar a contração da demanda na Europa, estabelecendo uma nova marca recorde para o 4T [quarto trimestre], aumentando as vendas para a Ásia, Oriente Médio e outras regiões", afirma o documento.
Em 2011, a Vale registrou recorde de receita e lucros. No total, a empresa faturou R$ 105,5 bilhões, 23,6% a mais do que os R$ 85,345 bilhões de 2010 e mais do que o dobro do faturamento de 2009, ano de recuperação de crise, que foi de R$ 49,812 bilhões. O lucro líquido da empresa chegou a R$ 37,814 bilhões em 2011, 25,7% a mais do que os R$ 30,070 bilhões de 2010.
Em entrevista coletiva, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, afirmou que o primeiro trimestre do ano não deverá manter o ritmo dos últimos meses por causa da desaceleração mundial. No entanto, ele prevê aumento de vendas no meio do ano. "Já havíamos dito que esperávamos um último trimestre de 2011 e primeiro de 2012 não exuberantes. Não teríamos o vigor observado, mas estamos otimistas em relação ao segundo e terceiro trimestres deste ano. Já se percebe um relaxamento das medidas macroprudenciais na China, se percebe afrouxamento da politica monetária", afirmou Ferreira.

