São Paulo – Representantes de quatro supermercados do Oriente Médio estão na capital paulista esta semana para prospectar novos negócios com fornecedores brasileiros. Eles irão participar de rodadas de negócios com empresas nacionais na feira da Associação Paulista de Supermercados (Apas) e conversar com expositores. Nesta segunda-feira (04), os executivos tiveram encontro com diretores de entidades setoriais na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
Hassan Al Kaff, diretor de Produtos e Mercados da Saudy Hypermarkets Company, representante da marca francesa Carrefour na Arábia Saudita, conta que sua empresa compra produtos do Brasil por meio de distribuidores locais. Sua intenção nesta vinda ao País é passar a comprar diretamente dos fornecedores brasileiros.
“Compramos produtos brasileiros de agentes e distribuidores lá, principalmente frango, mas também outros tipos de mantimentos. Viemos para ver quais outros produtos podemos adicionar. Estamos interessados em biscoitos, geleias e mel. São produtos que acredito que podemos acrescentar [aos que já importamos]”, afirmou Al Kaff. Na Arábia Saudita, o Carrefour possui 12 hipermercados e quatro supermercados.
Rakesh Jha, gerente geral de Vendas da Al Maya Distribution, braço de distribuição do Al Maya Group, dos Emirados Árabes Unidos, explica que sua companhia já compra produtos do Brasil para suas lojas locais, mas não para distribuição nos outros países no qual a rede está presente.
“Estamos interessados principalmente nos produtos de confeitaria, além de carne, frango e porco. Eu atuo na área de distribuição, então procuro produtos para distribuir não somente nos Emirados, mas também em Omã, Bahrein, Catar e Kuwait. Estamos procuramos produtos para estes cinco países”, contou. Os muçulmanos não consomem carne de porco, mas o produto está disponível em lojas de alguns países do Golfo para compra pela população expatriada.
Ibrahim Issa, gerente da Divisão de Supermercado do Sultan Center, do Kuwait, explica que sua empresa faz negócios com o Brasil há dois anos e que veio ao País para expandir os negócios com os fornecedores daqui.
“Estou aqui para expandir estes negócios e explorar novas oportunidades, especialmente com carne bovina e frango. Este é nosso principal objetivo agora”, disse. Ele falou também sobre a repercussão da Brazilian Week, semana de divulgação dos produtos brasileiros que aconteceu em uma das lojas da rede em junho do ano passado.
“O objetivo foi apresentar aqueles produtos para nosso mercado interno. Muitos deles [consumidores] já conheciam as marcas. Por exemplo, o guaraná [Antarctica] foi um dos principais itens no mercado. Os doces também venderam bem porque havia produtos novos. A cada três meses nós fazemos novos pedidos do Brasil e estamos planejando uma nova Brazilian Week para o próximo ano”, revelou.
Escritório local
Narayanan Raman, diretor de Distribuição do Lulu Group International, também esteve presente no encontro com entidades nesta segunda. Há seis meses, o Lulu tem um escritório em São Paulo e, de acordo com o executivo, o objetivo é facilitar as compras de produtos brasileiros.
“Eles têm um grande potencial no mercado do Oriente Médio”, afirmou sobre os alimentos brasileiros. Além de alimentos, a marca pretende comprar outros itens do Brasil. “Também temos interesse em produtos de couro, roupas, sapatos, cosméticos e produtos de limpeza”, revelou.
Luiz Pereira, assistente administrativo e único brasileiro que trabalha para o Lulu no País, contou que no setor de alimentos os principais interesses do varejista são em carne, frango, ovos e açúcar. Segundo o executivo, o grupo dos Emirados Árabes está presente em 27 outros países e o Brasil deve ser o único da América Latina a ter uma representação.
Entidades
A vinda dos compradores árabes ao Brasil ocorre como parte de um Projeto Comprador organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Na Câmara Árabe, eles foram recebidos por Michel Alaby, diretor-geral da instituição.
No encontro desta segunda-feira, os varejistas se encontraram com representantes da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), da Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) e da Associação Brasileira de Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas (ABBA).
Durante a reunião, as associações apresentaram os principais números e dados sobre seus setores e os importadores puderam tirar suas dúvidas sobre produtos e normas de exportação do Brasil, entre outros assuntos.
Um dos principais temas discutidos foi o embargo que a Arábia Saudita mantém à carne bovina brasileira desde dezembro de 2012. Em abril, representantes da Autoridade Saudita para Alimentação e Medicamentos (SFDA, na sigla em inglês), estiveram no Brasil para tratar do tema.
Uma próxima visita deverá acontecer no dia 24 deste mês e, segundo Fernando Sampaio, diretor-executivo da Abiec, que estava na reunião, a expectativa da indústria brasileira é que as vendas de carne bovina à Arábia Saudita sejam retomadas em junho deste ano.


