São Paulo – O comércio varejista tem crescido fortemente no Egito nos últimos anos. A informação foi dada na sexta-feira (05) pelo chefe do Departamento de Promoção de Investimentos e Atendimento ao Investidor da Autoridade Geral de Investimentos e Zonas Francas do país (Gafi, na sigla em inglês), Mohamed Rizk, durante reunião como representantes da indústria alimentícia na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, um dos últimos compromissos da delegação egípcia que esteve em São Paulo para promover oportunidades de investimentos.
“O Egito hoje é um dos cinco maiores destinos de abertura de redes de varejo do mundo”, disse Rizk. Ele citou grandes cadeias internacionais de supermercados estabelecidas no país, como a francesa Carrefour, a alemã Metro, a holandesa Makro, a egípcia Spinneys, além da rede de lojas de roupas Zara.
De acordo com o executivo, a popularidade das grandes redes de varejo no país é um fenômeno recente, já que tradicionalmente o comércio, especialmente de alimentos, é realizado por mercearias de bairro. Quando as empresas estrangeiras começaram a se interessar pelo mercado houve até dúvidas sobre a viabilidade do negócio, dados os hábitos arraigados dos consumidores.
Ele disse, no entanto, que o efeito da abertura de hipermercados e outras lojas de grande porte foi justamente o contrário. “A introdução de redes no Cairo mostrou que, cada hipermercado que abre, gera um aumento de 15% no consumo”, afirmou. Em sua avaliação, a maior variedade e exposição de produtos estimulam o consumidor a comprar mais.
Isso, no entanto, segundo Rizk, não acabou com o comércio tradicional. Existem no país cerca de 300 mil pequenos pontos-de-venda, que respondem por 60% da movimentação do setor, sendo que os supermercados e hipermercados ocupam uma fatia de 40%. As grandes lojas estão concentradas no Cairo, com alguma presença em Alexandria, mas os estabelecimentos tradicionais ainda predominam no resto do Egito.
Indústria
O executivo falou também sobre as oportunidades de investimentos na indústria alimentícia local. De acordo com ele, o país é produtor e exportador de frutas e legumes frescos, mas quer agregar valor à cadeia e passar a exportar mais alimentos industrializados. Entre as empresas presentes estavam Sadia e Perdigão, além da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef) e da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia).
Rizk sugeriu que as empresas brasileiras estudem a possibilidade de abrir unidades industriais no Egito para aproveitar o baixo custo de produção local, a proximidade com os mercados da Europa, Oriente Médio e África e os acordos comerciais que o país mantém com outras nações e blocos econômicos, além de explorar o potencial do mercado interno.
Ele citou o exemplo da Danone, que se instalou no Egito há cerca de três anos e hoje ocupa cerca de 30% do mercado local de iogurtes. A empresa, segundo o executivo, fabrica seus produtos a partir de leite em pó importado, mas busca parceria com outras companhias dispostas a produzir leite fresco no país e fornecer a matéria-prima.
Uma outra oportunidade está sendo oferecida por uma empresa local, uma estatal que tem instalações para processamento de carne para arrendar, com capacidade frigorífica para 600 toneladas. Segundo os egípcios, uma companhia brasileira poderia importar carne do Brasil e processá-la nessa planta. O acordo incluiria transferência de tecnologia.
“O plano agora é melhorar a indústria local para atender o mercado interno e ter alguma exportação”, disse Rizk.
Balanço
Durante toda a semana passada os integrantes da missão egípcia tiveram encontros com representantes dos ramos de alimentos, automobilístico, de equipamentos médicos e têxtil, além de visitas a bancos, indústrias privadas, entidades setoriais e órgãos do governo brasileiro.
De acordo com a vice-presidente da Gafi, Neveen El Shafei, que liderou a delegação, a viagem foi importante para aumentar no Brasil a visibilidade das oportunidades de investimentos no Egito. Outro ponto essencial, segundo ela, foi o grande volume de informações que os integrantes reuniram sobre a economia brasileira.
“A missão foi muito boa para solidificar nossa imagem e chamar a atenção das companhias brasileiras para os investimentos no Egito”, afirmou Neveen. Houve, de acordo com ela, manifestações de empresas interessadas em continuar os contatos e estudar o assunto com mais profundidade.
“Agora que fizemos essa primeira missão técnica, que teve uma boa cobertura dos setores [com potencial de negócios], onde fizemos bons contatos e tivemos boa visibilidade, o mais importante é dar seguimento [ao trabalho]”, declarou. “Temos que ter um diálogo contínuo com as entidades e empresas de todas as áreas que conhecemos”, concluiu.

