Isaura Daniel
São Paulo – As exportações brasileiras de couro para os países da Liga Árabe cresceram 78% em receita no ano passado em comparação com o ano anterior. De acordo com dados da Associação das Indústrias de Curtumes do Rio Grande do Sul (AICSul), as empresas nacionais tiveram receita de US$ 1,79 milhão com exportações de couro aos árabes contra US$ 1 milhão em 2005. O percentual superou o crescimento das vendas externas do setor em geral – que foi de 35% em 2006.
O volume ainda é pequeno frente ao universo de couros exportado pelo país, admite o presidente da AICSul, Cezar Müller. Os curtumes nacionais faturaram um total de US$ 1,87 bilhão com exportações em 2006. As vendas para a região, no entanto, devem continuar crescendo nos próximos meses. "Todos os mercados alternativos e ainda pouco explorados devem continuar crescendo em 2007", afirma Müller.
O aumento das vendas do ano passado, diz o presidente da entidade, já reflete a estratégia adotada pelas empresas brasileiras de buscar novos mercados. Para os países que são clientes tradicionais do setor, segundo Müller, os valores exportados já são bastante altos. A forte concorrência nestes mercados também impede o Brasil de esperar um aumento de vendas neles.
Segundo o presidente da AICSul, neste ano de 2007 as vendas gerais de couro, em volume, devem ficar estáveis.A projeção, de acordo com Müller, é resultado das dificuldades que o setor enfrenta, como o dólar desvalorizado, que torna os produtos nacionais menos competitivos no mercado externo.
Wet-blue
Desde o começo deste ano os couros brasileiros wet-blue, em estágio inicial, estão sendo taxados em 9% para sair do país. A medida, porém, segundo Müller, não é o que impedirá o aumento das vendas externas, já que o setor acredita que vai vender mais couros em estágio de produção avançado, como os acabados, e portanto, com maior valor agregado.
A exportação, que deve ficar estável em volume, então, poderá até crescer em receita. O governo brasileiro adotou a taxa atendendo a pedidos de associações setoriais. O couro wet-blue já teve taxa de 9% em 2000. Nos primeiros anos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, ela começou a cair. A taxa deveria ser reduzida a zero neste ano de 2007. A entrada da medida em vigor, porém, reverteu a situação.
Parte dos curtumes brasileiros e também os fabricantes de artigos de couro acreditam que a taxa vai favorecer a venda de produtos acabados. Eles alegam que as indústrias estrangeiras fabricam com o couro wet-blue feito no país artigos como couro acabado, calçados e artefatos, que acabam concorrendo com os brasileiros na ponta da cadeia. "A medida visa a competitividade dos produtos acabados e manufaturados", explica Müller.
Para vender mais
Uma das ações do setor para fazer crescer o volume de vendas no exterior deve ser aumentar o número de destinos do couro nacional. Isso vai demandar um esforço para abrir novos mercados como o árabe.
Os números indicam que, no mundo árabe, os maiores compradores do couro brasileiro são os do Norte da África. Isso porque a venda de couros para o Oriente Médio, onde ficam os países árabes do Golfo Arábico, alcançou apenas US$ 314 mil em 2006. No ano anterior havia sido ainda menor, de US$ 276,8 mil. O crescimento, de 13%, ficou bem abaixo do que o obtido com a Liga Árabe em geral.

