Omar Nasser, da Fiep*
Curitiba – A exportação de móveis brasileiros para os países árabes cresceu 600% entre 2003 e 2004, passando de US$ 800 mil para US$ 5,6 milhões. Resultado de um amplo esforço de divulgação das entidades do setor e de constantes investimentos no aprimoramento de processos, matérias-primas e design, a expansão não se esgotou. Pelo contrário. As estimativas da Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário (Abimóvel) são de que as vendas às nações árabes pelo menos dobrem este ano com relação a 2004.
"Trata-se de um mercado que está totalmente em expansão", afirma o gerente financeiro e administrativo da Abimóvel, Carlos Henrique Moreira. "Da classe A à C conseguimos vender móveis". O maior cliente da região são os Emirados Árabes Unidos que, segundo ele, acabam atuando como porta de entrada para outros países da região. Mas há interesse em diversificar a clientela. Moreira informa que estão sendo montandos consórcios para atingir o mercado árabe. Há compradores de móveis brasileiros na Arábia Saudita, Síria, Catar, Kuwait, Omã, Bahrein, Líbano e Iêmen. E há interesse dos iraquianos.
O mesmo entusiasmo com as possibilidades de negócios com o mundo árabe é compartilhado pelo presidente do Sindicato das Indústrias Marceneiras do Estado do Paraná (Simov), Ronaldo Duschenes. "O mercado árabe tem sido olhado como tendo um grande potencial. Eles tem comprado bastante, especialmente os Emirados Árabes", diz.
O Paraná é o terceiro maior exportador de móveis do país e faturou US$ 92 milhões em vendas para o exterior no ano passado, um crescimento de 52% em relação a 2003. Na opinião de Duschenes, uma parte maior destas exportações pode chegar aos países árabes. O Brasil, observa ele, é bem visto pelas nações do Oriente Médio e Norte da África. Dois fatores, acredita, favorecem a maior aproximação econômica: a grande colônia árabe existente no país e o apoio oficial do Brasil a soluções negociadas para os conflitos da região.
Segundo Duschenes, os compradores árabes são exigentes: mais do que bom preço, querem qualidade e design. Também dão preferência a madeiras nobres. Para o dirigente do Simov, entidade que reúne 2.278 indústrias moveleiras de Curitiba, Região Metropolitana e algumas cidades do interior do Estado, um nicho que deve ser explorado pelas empresas do setor é segmento corporativo, como redes de hotéis, restaurantes e escritórios.
Para ilustrar o crescente interesse dos árabes pelos produtos brasileiros, o gerente da Abimóvel cita alguns fatos que ocorreram na última Index, a feira de mobiliário e decorações de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, um dos maiores eventos do setor no mundo. Um dos casos envolveu a indústria Icema, de Santa Catarina, que 90 segundos após a abertura da feira já tinha vendido um contêiner de 40 pés. A Antica Decorações vendeu todas as amostras em meio dia de evento e a Americanflex negociou 27 contêineres durante a feira.
Ao todo, participaram do evento 36 empresas brasileiras, responsáveis por negócios que totalizaram US$ 2,5 milhões. Outros US$ 8 milhões devem surgir como resultado das negociações iniciadas durante a feira. O sucesso dos participantes serviu de ânimo para os empresários do setor e a Abimóvel recebeu, até o momento, contato de 77 empresas interessadas em participar da edição deste ano da Index, que ocorrerá entre os dias 28 de novembro e 02 de dezembro.
O gerente da Associação, contudo, avisa: devido ao espaço, uma seleção terá de ser feita. O Brasil pediu 1.200 metros quadrados de área, mas obteve apenas 590, sendo que os estandes devem ter, no mínimo, um tamanho de 15 metros quadrados. Moreira explica, no entanto, que para 2006 a área destinada aos expositores brasileiros será de 1.500 metros quadrados pois os organizadores estão ampliando o pavilhão.
O setor moveleiro do Brasil congrega 16 mil indústrias, das quais 95% são de pequeno porte, 3% de médio porte e 2% grandes. No ano de 2003, o segmento faturou US$ 3,4 bilhões, dos quais US$ 661,6 milhões vieram das exportações. No ano passado, as vendas ao exterior totalizaram US$ 940,6 milhões, o que representou uma expansão de 42,2%.
*Federação das Indústrias do Estado do Paraná

