Isaura Daniel
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São Paulo – As exportações do agronegócio brasileiro para os países árabes cresceram 20,81% nos sete primeiros meses deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado. Os agricultores e pecuaristas do país faturaram US$ 2,5 bilhões com vendas para países árabes entre janeiro e julho, contra US$ 2 bilhões em meses iguais de 2006. Entre os itens com exportações superiores a US$ 5 milhões, os que mais cresceram no mercado árabe no período foram, por ordem, lácteos, fumo, café, cereais, produtos florestais, frutas, carnes, mercadorias de origem animal, soja e derivados, fibras e produtos têxteis.
As vendas de frutas, por exemplo, aumentaram 50%. "O que está acontecendo é a continuidade de uma tendência de aumento das exportações de frutas brasileiras e um dos mercados que temos buscado, por ser emergente, é o árabe", diz o presidente do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), Moacyr Saraiva Fernandes. Segundo Fernandes, um dos produtos que puxou as exportações de frutas neste ano foi a maçã, que teve uma boa safra no primeiro semestre após dois anos de colheitas ruins. As vendas de maçãs aos árabes saíram de US$ 34 mil, de janeiro a julho de 2006, para US$ 1,2 milhão neste ano.
O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr., afirma que o crescimento das exportações de frutas para os árabes é um bom sinal. "Este é um tipo de produto que, por ser perecível, precisa de transporte rápido, de linhas diretas. E o aumento significa que a exportação está se viabilizando pelo frete", lembra Sarkis. A maior receita com as exportações brasileiras de frutas aos árabes veio da castanha-de-cajú, seguida pela laranja, frutas em conserva, maçã, tangerinas e limões. As vendas de castanha alcançaram US$ 3 milhões e as de laranja US$ 2,2 milhões entre janeiro e julho.
As nações árabes que mais compraram produtos do agronegócio brasileiro nos sete primeiros meses deste ano foram Arábia Saudita, com US$ 519,5 milhões, seguida dos Emirados Árabes Unidos, com US$ 422,5 milhões, Egito, com US$ 401 milhões, Argélia, com US$ 222 milhões, e Marrocos, com US$ 169 milhões. Alguns produtos, como os do complexo sucroalcooleiro, tiveram queda nas vendas no período, mas ela foi compensada pelo desempenho de outros setores. As exportações de carne, por exemplo, cresceram 42% e ficaram em US$ 1,1 bilhão. As do complexo soja subiram 25% para US$ 173 milhões.
No mês de julho as exportações do agronegócio para os países da Liga Árabe caíram se comparadas às do mesmo mês de 2006. Elas foram de US$ 457,4 milhões, em julho do ano passado, para US$ 414,4 milhões no mês passado, com decréscimo de 9,39%. Os grandes responsáveis pelo resultado foram o complexo sucroalcooleiro, que teve queda de 41,28% nas vendas, e a soja e derivados, com exportações 8,51% menores. Alguns produtos, porém, tiveram um desempenho bom. Foi o caso das vendas de carne, que subiram 30,95% para US$ 184 milhões, de café, 182% maiores para US$ 10,6 milhões, de fumo, 104% mais para US$ 7,7 milhões, e de lácteos, que cresceu 149% e ficou em US$ 4 milhões.
As exportações de frutas para os árabes no mês também aumentaram em julho sobre o mesmo mês de 2006. Elas cresceram 214,6% e ficaram em US$ 1,6 milhão. A principal fruta vendida foi a laranja, que respondeu por US$ 900 mil, seguida da tangerina, com US$ 374 mil. Em julho, o principal comprador de fruta brasileira, na região, foi Arábia Saudita, seguida por Omã, Emirados, Líbia e Líbano. O presidente do Ibraf afirma que as exportações de frutas aos árabes devem continuar crescendo no segundo semestre. "Pelo menos em 15%", diz Fernandes. O grande produto das exportações, no período, segundo ele, deve ser a manga, cuja safra começa em outubro.
Um mercado que cresce
Em um estudo divulgado na última semana pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, seis países árabes aparecem entre os 30 países que mais contribuíram para o crescimento das exportações do agronegócio entre os anos 2000 e 2006. O Egito é o sexto, os Emirados o sétimo, a Arábia Saudita o oitavo, a Argélia o 17º, o Iêmen o 21º e o Marrocos o 26º. No período, houve um aumento significativo, segundo relatório, dos países em desenvolvimento, no destino das exportações do agronegócio nacional. O crescimento médio anual das vendas para estas regiões foi de 23,1% de 2000 a 2005, enquanto que para as nações desenvolvidas o aumento alcançou 10,8%.
Segundo o documento, intitulado "Intercâmbio Comercial do Agronegócio – Trinta Principais Parceiros Comerciais", a participação dos países em desenvolvimento, como destino das exportações agrícolas e pecuárias nacionais, saiu de 33,9% em 2000 para 49,1% no ano passado, enquanto que os países desenvolvidos caíram de uma participação de 66,1% em 2000 para 50,9% em 2006. Entre as nações em desenvolvimento, o Oriente Médio foi, como região, o segundo maior destino, em 2006, e a África o quarto. As duas regiões são as que abrigam países árabes.

