Isaura Daniel
São Paulo – As vendas do agronegócio brasileiro para os países árabes cresceram bem acima da média nacional no mês de outubro. Enquanto o faturamento das exportações do país de maneira geral aumentou em 16,9% no mês, as vendas para o mundo árabe cresceram 33%.
De janeiro a outubro ocorreu o mesmo movimento. O Brasil teve receita 9,6% maior nas exportações para o mercado externo como um todo e 24% superior para os árabes. Segundo o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr., as vendas para a região devem continuar acima da média nacional também no fechamento do ano.
Em outubro, o agronegócio nacional faturou US$ 292,1 milhões com as vendas para os países da Liga Árabe contra US$ 219,4 milhões no mesmo mês de 2004. O aumento foi de US$ 72,6 milhões. Entre janeiro e outubro deste ano a receita ficou em US$ 2,87 bilhões contra US$ 2,31 bilhões dos mesmos meses do ano passado. O faturamento foi maior em US$ 562,4 milhões.
Os responsáveis pela compra dos maiores volumes em outubro foram, por ordem, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Argélia e Marrocos. Nos dez primeiros meses do ano, a lista também foi liderada pelos sauditas, seguidos dos Emirados, Egito, Kuwait e Marrocos.
A maioria destes países aumentou suas compras de açúcar e café brasileiros. O café e o açúcar, lembra Sarkis, são produtos tradicionais da pauta para os árabes. "A demanda que há pelo açúcar nos países árabes é maior do que a oferta brasileira. É possível expandir ainda mais as vendas de açúcar para a região", diz o presidente da Câmara Árabe.
A Arábia Saudita, por exemplo, gastou em outubro US$ 32 milhões com açúcar do Brasil contra US$ 2,8 milhões no mesmo mês de 2004. As aquisições de carnes brasileiras por parte dos sauditas cresceram 49,89%, as de café 149%, as de celulose e papel 910%. Os Emirados compraram um valor 825% maior de açúcar, 20,17% maior em carnes e 116% em café.
O Egito, apesar de ser um dos principais importadores do agronegócio nacional entre os árabes, comprou menos açúcar e carnes do Brasil em outubro. O país, porém, aumentou as aquisições de café em 14,84%, de celulose e papel em 262% e de madeira em 39,7%. A Argélia comprou mais café, fumo e papel; o Marrocos carnes e cafés; e o Kuwait adquiriu mais carnes do Brasil.
Os países árabes que mais aumentaram as compras em outubro, no entanto, em percentuais e por ordem, foram Iraque, Sudão, Mauritânia, Kuwait e Ilhas Comores. As compras do Iraque saíram de US$ 178 mil em outubro do ano passado para US$ 11,5 milhões no mesmo mês deste ano. O aumento foi impulsionado por açúcar e carnes.
Entre janeiro e outubro, as nações árabes que mais cresceram como destino das exportações do agronegócio nacional foram, por ordem, Sudão, Ilhas Comores, Djibuti, Jordânia e Iêmen. As vendas para o Sudão passaram de US$ 3,5 milhões nos primeiros dez meses de 2004 para US$ 15,5 milhões no mesmo período de 2005. "Esses números são reflexo da abertura da embaixada do Sudão e do trabalho que ela vem desenvolvendo", diz Sarkis. O país africano abriu sua embaixada em Brasília na metade de 2004.
As exportações da agricultura e da pecuária brasileira, como um todo, chegaram a US$ 36,2 bilhões entre janeiro e outubro e tiveram um superávit de US$ 32 bilhões. No acumulado dos últimos doze meses, as exportações já estão em US$ 42,1 bilhões, com superávit de US$ 37,1 bilhões.

