Da Agência Brasil
Brasília – A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Índia, na próxima semana, vai significar mais que uma visita de Estado, mas uma agenda de sinalização comercial. É o que afirma o presidente da Agência de Promoção das Exportações Brasileiras (Apex), Juan Quirós, que acompanhará a missão brasileira junto com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan.
“Queremos ser porta de entrada de empresários indianos e sabemos que há interesse deles em conhecer melhor o
mercado brasileiro. Este é o momento estratégico do Brasil participar e conquistar mercados emergentes como Índia e outros já visitados pelo presidente Lula, como África e Oriente Médio”, afirma Juan Quirós.
Pela segunda vez o presidente Lula vai a Índia para tratar de temas comerciais. O mercado indiano possui hoje mais de 1 bilhão de habitantes, a expectativa do Brasil é alcançar cerca de 35 milhões de consumidores.
O comércio bilateral ainda é considerado pequeno para a potencialidade e semelhança entre os dois países, por isso o governo brasileiro pretende aproximar os dois na área econômica e cultural.
“A Índia e o Brasil são as duas maiores democracias do mundo demograficamente. São países que sempre estiveram de costas para o mundo, mas existem possibilidades bilaterais de compartilhar programas sociais e
construir uma agenda voltada para a construção de um mundo multipolar. A instalação dessa agenda é mais importante do que o tema de balança comercial porque inclui a discussão sobre processos de desenvolvimento sustentável e a inclusão de economias emergentes no mercado internacional”, ressalta o cientista político e professor da UnB, Flávio Sombra Saraiva.
O ministro Furlan tem na agenda um encontro com empresários indianos. No ano passado, por determinação do ministro, o presidente da Apex e uma equipe estiveram na Índia visitando empresários, indústrias e grandes atacadistas e decidiram selecionar uma empresa de consultoria que fará uma prospecção de mercado na Índia de cerca de 60 produtos, entre eles, jóias, alimentos,
softwares, calçados e mármores.
Também serão definidos os clientes potenciais, volume de compra, concorrentes, preço médio, barreiras tarifárias, logística, transporte e distribuição para a Índia.
Em quatro meses o governo espera obter o resultado dessa pesquisa. A mesma prospecção foi encomendada na Rússia, África, China e Oriente Médio. A expectativa é que em maio ou no segundo semestre deste ano, uma missão brasileira viaje a Índia para levar uma amostra dos produtos nacionais.
A Índia possui hoje um dos mais desenvolvidos programas de informática do mundo, conhecimentos nas áreas científica, tecnológica e física. Assim como o Brasil, é um país marcado por profundas desigualdades sociais. Brasil e
Índia fazem parte de um programa educacional da Unesco de inclusão escolar e tem tentado ampliar sua balança comercial ao longo dos anos.
Na avaliação de Juan Quirós, a relação comercial entre Brasil e Índia ainda é tímida se for avaliado o potencial dos países. “Há um espaço enorme para os dois países crescerem juntos. O presidente do Instituto Ethos, Oded
Grajew, que esteve no Fórum Social Mundial encerrado esta semana em Mumbai, na Índia, afirma que o governo Lula tem globalizado a política externa brasileira e possibilitado ao Brasil ser visto como ator internacional por causa de sua política externa.
“Nos governos anteriores havia sempre uma visão voltada para os Estados Unidos ou a Europa. O mundo é mais amplo que isso, o presidente Lula abriu caminhos novos para o Oriente Médio, África e América Latina”, destaca Grajew.
A Índia está entre os mercados prioritários das exportações brasileiras, apesar de o país não figurar entre os principais investidores no Brasil. As exportações brasileiras para a Índia foram de US$ 341 milhões, enquanto as importações chegaram a US$ 589 milhões.
A Índia compra do Brasil principalmente combustíveis, óleos brutos de petróleo, óleo de soja, automóveis, açúcar e minérios. O Brasil importa óleo diesel, produtos químicos e farmacêuticos.
Segundo dados da Apex, 8.250 pequenas e médias empresas brasileiras foram levadas ao mercado internacional por meio de feiras e 112 mil empregos diretos foram gerados. Cerca de US$ 2 bilhões foram fechados em comércio que nos próximos meses devem se incorporar como vendas.

