Randa Achmawi, especial para a ANBA
Cairo – A siderúrgica Aços Villares é mais uma empresa brasileira que aposta nos mercados do Mundo Árabe. "O potencial de crescimento da produção de aço no mundo árabe é muito grande. Como nós fabricamos uma ferramenta para a produção do aço, nosso produto tem ótimas chances de conquistar este mercado", afirmou Marcelo Rebellato, representante da companhia que esteve recentemente no Egito para prospectar o mercado da região.
A Villares fabrica, entre outros produtos, cilindros para laminação, que são equipamentos usados na produção de chapas de aço. De acordo com Rebellato, a empresa quer chegar a suprir 20% da demanda das empresas de quatro países árabes: Egito, Arábia Saudita, Líbia e Argélia. "A Lotas Comércio Exterior é nossa representante nestes países há cerca de dois anos", disse. "Existe todo um período de apresentação da empresa, que dura de sete a oito meses. Em seguida há a fase de testes, que demora de oito meses a um ano. E só após este período é que o começa o trabalho de fornecimento regular", acrescentou.
De acordo com ele, por enquanto as vendas da Villares ao mundo árabe ainda estão longe dos objetivos fixados. "No Egito, por exemplo, só fornecemos 3% do total consumido no país. Contamos com uma participação de 2% a 3% no consumo da empresa estatal Egypt Iron e de 3% no da EZZ, que é uma das maiores fabricantes locais de aço", afirmou Rebellato. Na Líbia o consumo dos cilindros da empresa representa 0,5% do total utilizado no país. "E na Argélia estamos ainda em plena fase de lançamento de nossos produtos", declarou.
Futuro próximo
No entanto, para Rebellato esta situação deverá mudar em pouco tempo. "Creio que com as condições que oferecemos, assim como a qualidade dos nossos produtos, poderemos aumentar muito o volume de nossas vendas para estes países", ressaltou. Como exemplo, ele citou as perspectivas de negócios com o Egito. "Vamos exportar este ano para o Egito 120 toneladas de cilindros para laminação a quente, num valor entre 600 mil e 700 mil euros. Mas só para o Egito, nosso objetivo é ultrapassar os 2 milhões de euros até 2008", afirmou.
Já para a Líbia, segundo ele, está prevista em 2006 a venda de 12 cilindros no valor de 140 mil euros. "Na Argélia estamos em processo de cotação e devemos vender este ano um total entre 120 mil e 130 mil euros. Na Arábia Saudita esperamos, no final de 2006, ou começo de 2007, fazer negócios no valor aproximado de 170 mil euros. Penso que até 2008 poderemos chegar a 3,5 milhões de euros em negócios com estes quatro países", disse. "Por enquanto estes países compram muitos produtos da Índia, Ucrânia e Turquia, que oferecem preços baixos. Mas creio que poderemos competir fornecendo melhor serviço e qualidade", acrescentou.
Ele destacou também a preocupação da companhia com o meio ambiente. "A Villares trabalha de maneira proativa, buscando sempre a proteção do meio ambiente. Isto quer
dizer que buscamos sempre melhorar nossos processos produtivos sem agredir a natureza", concluiu Rebellato.
Perfil
Fundada em 1944, a Aços Villares tem três unidades industriais no interior do estado de São Paulo. Ela tem capacidade instalada para a produção de 950 mil toneladas anuais de aço bruto e 750 mil toneladas por ano de produtos acabados.
Entre 25% e 30% da produção da empresa é destinada à exportação. Entre janeiro e setembro de 2005, ela teve um faturamento de R$ 1,35 bilhão e um lucro líquido de R$ 181,5 milhões. Em novembro do ano passado o número de empregados chegou a 3.054 pessoas.

