Alexandre Rocha
São Paulo – Pelo menos 20 chefes de estado e de governo já confirmaram presença na cúpula dos países árabes e sul-americanos, que será realizada nos dias 10 e 11 de maio em Brasília. O Itamaraty espera uma presença maciça no evento e aguarda mais confirmações. De acordo com fontes do Ministério das Relações Exteriores, no caso de alguns países é praxe deixar a confirmação para a última hora, por motivos de segurança. Os nomes dos líderes que vão participar, porém, só serão divulgados oficialmente nos próximos dias.
Dos 20 líderes confirmados até sexta-feira (15), 18 são chefes de estado e dois são chefes de governo. Fontes diplomáticas informaram que 10 são árabes e 10 são sul-americanos. A ANBA apurou que entre os líderes árabes que já confirmaram participação estão o rei da Jordânia, Abdullah II, o rei do Marrocos, Mohammed VI, o primeiro-ministro da Síria, Mohamed Naji Al-Otari, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, o emir do Catar, Hamad bin Khalifa Al-Thani, e o presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika.
A Argélia ocupa atualmente a presidência da Liga dos Estados Árabes e Bouteflika será o co-presidente da cúpula, ao lado de seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Existe a possibilidade também da vinda do príncipe-herdeiro da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdul Aziz Al Saud.
Dos 12 líderes sul-americanos, os únicos que ainda não confirmaram participação são os presidentes da Argentina, Néstor Kirchner, e do Suriname, Runaldo Venetiaan. Mesmo que nem todos os chefes de estado estejam presentes, os 34 países envolvidos vão enviar delegações para a cúpula.
Agenda posterior
Um dos principais assuntos do evento será o comércio e as relações econômicas entre as duas regiões. Já há uma proposta de declaração final para a reunião aprovada pelos ministros das Relações Exteriores dos países participantes. O único ponto que ainda não foi definido é a agenda de encontros posteriores à cúpula.
Um encontro, porém, já foi definido. Os ministros da área econômica das duas regiões vão se encontrar no Equador em uma data que ainda será marcada. De acordo com o Itamaraty, espera-se que a cúpula e os eventos que se seguirem resultem em ações "voltadas para ampliar os fluxos comerciais entre as duas regiões e fazer avançar os respectivos processo de integração, assim como estimular investimentos em setores estratégicos, tais como energia, transportes e telecomunicações".
Ainda na seara econômica, pretende-se "instalar entrepostos comerciais em portos das duas regiões, de modo a facilitar o recebimento e a distribuição de mercadorias", além de se aumentar o turismo inter-regional "por meio da realização de eventos promocionais conjuntos".
Acordos
No que diz respeito à integração comercial, alguns processos já estão em andamento. O Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, negocia atualmente acordos de preferências tarifárias com o Egito e com o Marrocos.
Durante a cúpula, poderá ocorrer a assinatura de um acordo-quadro que vai dar o pontapé inicial em uma negociação semelhante entre o bloco sul-americano e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), união aduaneira formada por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã. O secretário-geral do GCC, Abdul Rahman Bin Hamad Al-Attiyad, foi convidado para vir ao Brasil uma semana antes da cúpula para conversar com representantes do Mercosul sobre o tema.
A cooperação econômica vai permear também os eventos paralelos à cúpula, como o seminário empresarial e a Feira de Investimentos. O Itamaraty espera que 2 mil pessoas, entre empresários e membros de delegações, estejam em Brasília para participar dos encontros. Nos dia 12 e 13 de maio, em São Paulo, a Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), em parceria com o governo do estado, vai promover mais atividades voltadas para os empresários.

