São Paulo – A visita que o rei da Jordânia Abdullah II fará ao Brasil em outubro deve incentivar o comércio bilateral entre o Brasil e o país árabe. A afirmação foi feita ontem (16) pelo ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Salaheddine Al-Bashir, em entrevista à ANBA, após reunião com a diretoria da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo. Al-Bashir concluiu ontem uma visita oficial ao Brasil, preparatória à viagem do rei.
“Queremos incentivar o setor privado a trabalhar para aumentar os números do comércio bilateral”, disse o chanceler. Na visita de Abdullah II deverá vir ao Brasil também uma comitiva de empresários para encontros com o setor privado brasileiro. Um dos objetivos é justamente equilibrar a balança comercial entre Jordânia e Brasil, atualmente bastante favorável aos brasileiros.
De acordo com Al-Bashir, a Jordânia pode exportar ao Brasil produtos como fertilizantes, farmacêuticos, têxteis e de tecnologia. O Brasil, por ser um dos grandes produtores agrícolas mundiais, tem alta necessidade de fertilizantes, cerca de 70% do total consumido pelo mercado brasileiro é importado.
A Jordânia também está aberta, segundo Al-Bashir, aos investimentos brasileiros. O país tem, de acordo com o chanceler, uma série de projetos voltados para investimentos estrangeiros, em áreas como serviços, setor têxtil e de alimentos. A Jordânia também tem despertado, de acordo com ele, o interesse externo por seu mercado financeiro, pela Bolsa de Valores de Amã. Confira a seguir a íntegra da entrevista do ministro:
ANBA – Qual sua expectativa para as relações entre Brasil e Jordânia após a visita do rei?
Salaheddine Al-Bashir – Já ocorreram diversas visitas de ministros brasileiros à Jordânia. Queremos ter um nível significativo de regulamentação que demonstre o interesse político e oficial que há em construir relações entre Brasil e Jordânia. Por outro lado, também queremos incentivar o setor privado a trabalhar para aumentar os números do comércio bilateral.
Durante a visita do rei Abdullah II ao Brasil vai haver um fórum para empresários brasileiros e jordanianos. Quantos empresários vocês pretendem trazer para o Brasil?
Queremos trazer o maior número possível de empresários, mas ainda não temos um número exato.
Quais são os planos para este fórum? Vocês pretendem atrair investidores brasileiros para a Jordânia?
Gostaríamos de ver relações mais concretas e mais parcerias bem-sucedidas em todos os níveis: comércio, investimento, cultura, universidades, educação e intercâmbio de estudantes. Queremos melhores relações nos níveis político, econômico, empresarial e cultural.
Como o senhor avalia as relações atuais entre Brasil e Jordânia?
Houve muito progresso nos últimos anos. Os números do comércio estão crescendo, embora a balança esteja fortemente inclinada para o lado do Brasil. Vamos trabalhar para aumentar o investimento e equilibrar o comércio bilateral.
O que o Brasil pode importar da Jordânia?
A Jordânia oferece muitas possibilidades no setor de fertilizantes, como fosfato de potássio. O país também vende produtos farmacêuticos para o mundo todo. Temos uma indústria têxtil bastante avançada e também podemos exportar produtos dos setores de tecnologia da informação e programas de computador.
Em que setor da economia jordaniana há espaço para investimentos brasileiros?
Todos os setores estão abertos ao investimento, seja na área de serviços – telecomunicações, tecnologia da informação, turismo, saúde – ou na área de produção – indústria têxtil e alimentos.
O país recebe muito investimento estrangeiro?
Sim, há uma grande variedade de projetos voltados para o investimento direto estrangeiro. Também há bastante interesse internacional em nossa bolsa de valores.
Qual o país que mais investe na Jordânia?
Recebemos um volume significativo de investimento do Golfo – Kuwait, Emirados Árabes Unidos – mas também temos uma alta porcentagem de investimentos vindos da Europa, França, Estados Unidos e assim por diante.

